Facilitar a vida da dona de casa foi um dos objetivos que levaram a produtora Lilian Azevedo a investir na técnica de processamento mínimo de alimentos. Ela foi a pioneira na venda de mandioca ''pronta para a panela'' e de milho verde descascado e embalado em bandejas, em Londrina. A atividade lhe garante o sustento da propriedade de sete alqueires onde emprega cinco pessoas. ''Não tenho luxo, mas dá para viver bem'', afirma.
No final do ano passado ela foi uma das vencedoras do programa Empreendedor Rural, desenvolvido pelo Senar/Pr e Sebrae. Mas a visão da propriedade rural como um negócio que precisa se sustentar e dar lucro, é mais antiga para Lilian. Bióloga com mestrado em melhoramento genético em vegetais, ela conta que optou pelo sítio após se afastar dos estudos. ''Eu tinha que produzir''.
A primeira atividade de Lilian como empresária rural ocorreu em 1987, quando entrou no mercado com a venda de leite de cabra. Logo após partiu para a venda da mandioca ainda suja. As raízes atraíam compradores mas não atendiam às expectativas da produtora.
Com isso, as técnicas de processamento foram se aprimorando até chegar ao produto disponível no mercado: mandiocas embaladas e rotuladas dentro das normas determinadas pelo Serviço de Inspeção Municipal (SIM). Lílian destaca ainda que anualmente, a seu pedido, a propriedade e a sala de embalagem passam por vistoria dos fiscais sanitários.
A idéia se espalhou e hoje já se encontram à venda várias marcas embaladas. Em 2001, Lílian entregava cerca de 4 toneladas/semana. Com a concorrência, o volume de venda caiu para 1,5 t/semana. Mas ela não reclama: ''tem espaço para todos'', resume.
Lílian afirma que dos produtos disponíveis no mercado, a sua marca é a única que segue todos os passos determinados pelo sistema de processamento mínimo de alimentos. ''Lavamos as raízes da mandioca logo após serem colhidas. Depois, elas são descascadas, lavadas novamente e encaminhadas para um processo de resfriamento em câmara fria. Só depois são embaladas para venda'', explica.
O processo, segundo ela, garante a qualidade diminuindo o risco de contaminação. Nos supermercados a orientação é de que a mandioca fique em exposição em balcões refrigerados e a venda ocorra enquanto o produto esteja fresco. ''Trocamos as embalagens com raízes manchadas'', garante. Para ampliar mercados, Lilian pretende investir ainda este ano, na compra de uma máquina para embalamento a vacuo.
Lílian lembra que a mandioca já foi a principal fonte enérgetica na alimentação do brasileiro. O hábito do pão de trigo foi herdado dos europeus e reforçado pelos americanos no período da 2º guerra. ''Espero que essa forma de processamento da mandioca incentive a retomada do alimento, com muita vantagem para o consumidor''.
Desde que tornou-se produtora rural Lílian faz questão que produção siga os preceitos do sistema orgânico. ''Trabalhamos com capina manual, dividimos o manejo da terra entre a tração animal e mecânica, não abrimos espaço para os agrotóxicos e temos ainda uma boa convivência com as inúmeras variedades de espécies invasoras.'' A produtora está empenhada em conseguir o selo de certificação de orgânicos. Além da mandioca, Lilian continua embalando milho verde. A produção comercial da propriedade tem ainda limão, abacate, inhame e batata-doce.

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