Cristina Côrtes
De Londrina
O Paraná tem potencial para cultivar soja no sistema de produção orgânica, e essa área pode crescer muito nos próximos anos. As pequenas e médias propriedades no Estado caracterizam-se pela produção de alimentos, e a demanda por soja na alimentação direta em forma de leite, proteína texturizada, farinha, está estimulando a produção orgânica. A avaliação é do agrônomo Caio Vidor, que assuniu a chefia do Centro Nacional de Pesquisa de Soja (Embrapa Soja) no último dia 8, em Londrina.
Segundo ele, o Centro pretende continuar colocando à disposição do produtor tecnologias que favoreçam a produção de soja orgânica. ‘‘Temos excelentes cultivares que se desenvolvem muito bem neste sistema de produção, e um programa com bons resultados na área de soja para consumo direto na alimentação, que atende os interesses da agricultura familiar’’, destaca.
ExpansãoO pesquisador Caio Vidor informou também que uma das prioridades do Centro nos dois próximos anos é consolidar a expansão do cultivo de soja nas regiões do Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Goiás e Distrito Federal, além de fomentar a expansão recente nos Estados da Bahia, Maranhão e parte do Piauí.
‘‘A expansão da soja nessas novas áreas não significa substituir as florestas, mas sim ocupar áreas já degradadas’’, explica Vidor. A explicação é necessária, segundo o pesquisador, porque a empresa tem sido apontada por entidades ambientais como incentivadora de ocupação de matas e florestas com plantio de soja. A preocupação do Centro, segundo Vidor, é com a viabilização de projetos em áreas já desmatadas, impulsionando o desenvolvimento de regiões com a produção e sustentabilidade técnica e econômica da soja.
A região Centro-Oeste é um exemplo das potencialidades da soja: hoje é a segunda região maior produtora de soja, com 4.942,2 mil hectares e produção de 13.198,2 mil toneladas. Na década de 90 a soja passou a ser o principal produto agrícola da região, com altos níveis de produtividade, graças à geração de novas cultivares adpatadas ao Cerrado brasileiro.
RecursosO orçamento da Embrapa é composto de recursos próprios e do governo. Os recursos próprios têm vindo através de parcerias, em que a empresa vende serviços e tecnologia, explica Vidor. A Embrapa Soja tem a maior parte de seu orçamento anual consumida pelo pagamento de salários, sendo reduzido o montante disponível para novos projetos de pesquisa.
Daí a necessidade, segundo Vidor, de incrementar a participação da iniciativa privada no incentivo à pesquisa, mas o governo deve continuar com a responsabilidade de ser o principal agente financiador. O pesquisador comenta ainda que o setor privado é muito importante para viabilizar novos projetos de pesquisa, e que a Embrapa Soja poderia contribuir muito mais, se houvesssem mais recursos disponíveis. ‘‘Atualmente a participação dos setor privado na pesquisa no País não passa de 10%’’, diz.

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