Alimentação: direito do homem
Alimentação: direito do homem
Amélio DallAgnol
Ontem, 16 de outubro, comemorou-se o Dia mundial da Alimentação, data instituída pelas Nações Unidas, à raiz da Declaração dos Direitos Universais do Homem. Dentre esses direitos está o acesso a uma alimentação digna. No entanto, é um pradoxo: enquanto alguns comemoram o Dia da Alimentação, outros - milhões de seres humanos, ou melhor, mais de um bilhão de pessoas - não têm o que comer.
Assim não é nenhum exagero dizer que hoje é apenas mais um dia de fome, bem como mais um paradoxo. Ou seja, enquanto os chamados excluídos estão magros demais porque não comem, outros tantos estão preocupados em perder peso, porque comem demais. Prioridades são prioridades.
A fome não é consequência da falta de alimentos ou da nossa incapacidade para produzir mais. O problema está na falta de dinheiro para comprá-los. Também não é propriamente por falta de dinheiro e sim da sua distribuição desigual e injusta.
A fome tem origem na miséria - rural e urbana - que é, por sua vez, consequência da concentração cada vez maior da riqueza nas mãos de poucos. A economia mundial cresceu e continua crescendo em ritmo acelerado, como resultado dos avanços tecnológicos conseguidos pela sociedade como um todo. São muitos os excluídos, dentre eles pequenos produtores de alimentos, inviabilizados pela sua incapacidade de se apropriar dos progressos tecnológicos da agricultura.
Parece contrasenso que a tecnologia - sempre lembrada como a principal ferramenta para o crescimento social e econômico - às vezes produza este tipo de distorção.
O direito à alimentação é apenas um direito, nada mais que isso. Ainda bem que os famintos não sabem que têm esse direito. E se soubessem, por acaso serviria isso para alguma coisa? A quem reclamar esse direito? À Organização das Nações Unidas? Ela não tem como exigi-lo dos governantes, mundo afora.
O pobre é vítimua de um círculo vicioso: porque é pobre, se alimenta mal, não desenvolve suas capacidades físicas e mentais, razão pela qual não consegue emprego decente. Assim, termina desempregado ou subempregado. marginalizado, constitui-se numa ameça ao meio ambiente e ao restante da sociedde.
A pobreza é, sem dúvida, um problema social. Não se resolve com mais tecnologia, muito menos com a solidariedade e caridade humanas. Aos governos cabe esta tarefa. Eles devem e podem realizá-la, através de um adequado manejo das políticas macroeconômicas, sociais e fiscais. Erradicar a pobreza deve ser prioridade de todos, mas só os políticos dispõem de ferramentas para fazê-lo. Acabamos de elegê-los, vamos agora cobrá-los.
O autor é chefe de Comunicação e negócios da Embrapa Soja.





