O setor lácteo está coeso para sair da crise de excedente na produção, dos preços em queda e do risco de estagnação por falta de demanda.

Uma reunião nesta terça-feira (3) em Curitiba reforçou as pretensões dos governos estaduais, grandes laticínios e dos fornecedores da matéria-prima em implementar um plano de médio prazo para reduzir os custos de produção e aprofundar as medidas de controle sanitário do rebanho. O objetivo é tornar o Brasil mais competitivo nas exportações - especialmente de leite em pó - em potenciais mercados da África, da Ásia e da América Latina, vencendo as limitações impostas pela dependência praticamente total do mercado interno.

“Vamos trabalhar para exportar os excedentes. Isso já foi feito com o frango e com a carne suína, agora é a nossa vez. É a única forma para continuarmos crescendo”, explicou Ronei Volpi, coordenador-geral da ALSB (Aliança Láctea Sul Brasileira), um fórum criado em 2014 que congrega a área técnica das secretarias estaduais dos três estados do Sul e do Mato Grosso do Sul, sindicatos patronais, líderes das federações de agricultura e outras instituições da região.

A reunião da ALSB foi realizada diante de uma das maiores crises do setor de leite nas últimas décadas e sob o burburinho provocado pela aprovação do acordo de livre comércio entre dois blocos econômicos, o Mercosul e a União Europeia, conforme retratado em reportagem da FOLHA publicada no dia 21 de fevereiro.

Os participantes se comprometeram a realizar avanços dentro das suas respectivas atribuições, como conta o presidente do sindicato patronal dos laticínios do Paraná, Elias José Zydek (presidente da Frimesa). “Os representantes da área de produção vão fazer seus projetos, da mesma forma que a área industrial e a área de mercado também vão detalhar seus planos. Vamos aprimorar a assistência técnica dos produtores, vamos investir em pesquisa, vamos desenvolver produtos para clientes dos mercados onde poderemos atuar. Os estados também se comprometeram a nos dar respaldo. O desafio é que temos que ter um custo compatível de produção para conseguirmos nos adequar aos preços internacionais e acabar com os excedentes”, explicou.

Volpi afirma que a articulação seguirá sendo azeitada nas próximas reuniões da ALSB (outras três estão programadas para este ano) regida por dois objetivos básicos. Além da viabilização de mercados, a cadeia do leite dos quatro estados quer atingir um padrão de excelência na questão sanitária dos rebanhos. “A prioridade é avançar no controle e erradicação da brucelose e tuberculose. Já vencemos a aftosa e não vamos conseguir exportar em larga escala sem uma garantia total de sanidade”, explica.

Sobre o acordo com Mercosul-UE, a ALSB tem uma posição muito clara que é a equivalência reversa do leite em relação às salvaguardas impostas pelos europeus para os produtos brasileiros mais competitivos, com cotas máximas anuais de exportação e tarifação sobre o volume que romper esse limite. O setor também pede um prazo de transição de 10 anos para a abertura completa do mercado e a proteção da Tarifa Externa Comum de 28% para produtos importados fora do bloco durante o período, impedindo triangulações através dos países vizinhos.

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