Aliança Láctea quer eliminar distorções do mercado mundial
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sábado, 23 de novembro de 2002
Reportagem Local 
Uma reforma substancial no comércio internacional de produtos lácteos é o principal objetivo da Aliança Láctea Global. Ela foi criada por representantes do setor lácteo do Brasil, Chile, Argentina, Uruguai, Austrália e Nova Zelândia em um encontro ocorrido em outubro, em Buenos Aires.
''É preciso criar maiores oportunidades comerciais no mercado mundial de lácteos. Para tanto, há a necessidade de uma interação do setor leiteiro e dos governos dos países membros da aliança, no intuito de fortalecer a posição dos negociadores em defesa da eliminação das proteções existentes no mercado internacional''. A afirmação é do chefe da Embrapa Gado de Leite, Duarte Vilela.
Somente nos 15 países de economia mais forte do mundo foram gastos US$ 324 bilhões em subsídios, entre 1998 e 2001. Do total, US$ 45 bilhões foram para o setor de lácteos. ''Atualmente, o segmento leiteiro é o que atrai mais apoio governamental, o que gera graves distorções'', reforça Vilela. Ele lembra que a carne vem em segundo lugar, mas com uma grande diferença, US$ 28 bilhões. ''O apoio doméstico estimula o aumento de produção sem considerar as forças de oferta e demanda. Isto gera um ambiente artificial, que favorece a formação de excedentes de produção, que geralmente são exportados e deprimem o preço no mercado mundial'', explica.
As estratégias para enfrentar as distorções que sustentam as bases atuais do comércio de lácteos começarão a ser traçadas durante o 2º Congresso Internacional do Leite. O evento vai acontecer entre os dias 4 e 7 de dezembro, no Hotel Carimã, em Foz do Iguaçu (PR). A reunião dos membros da aliança está marcada para o dia 7.
Mercado interno - A redução das distorções de mercado permitirá um aumento das exportações de países como o Brasil, que não subsidiam a produção. As exportações criam oportunidade para a expansão das economias, favorecem produtores e indústrias e contribuem para a estabilização dos preços praticados, avalia Duarte.
Especialmente com relação ao Brasil, ele alerta sobre algumas medidas que são necessárias para tornar o país mais competitivo no mercado internacional. ''A alternância de escassez e de excesso de oferta de leite no mercado interno vem gerando sérios problemas para o setor. Tal condição impede a estabilidade e previsibilidade dos preços recebidos pelos produtores e interfere no mercado externo''.
No entanto, Duarte lembra que várias medidas vêm sendo tomadas para favorecer o crescimento das exportações. Ele cita a Instrução Normativa nº 51, publicada pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Ela estabelece critérios mais rígidos para a produção, identidade e qualidade do leite.
Durante o 2º Congresso Internacional do Leite será elaborada também
uma agenda de políticas públicas a ser entregue para a equipe de transição do governo eleito. ''Com o novo governo ciente da força do setor lácteo poderemos avançar ainda mais'', conclui.


