Aliança integra pecuaristas no Norte Pioneiro
PUBLICAÇÃO
sábado, 22 de dezembro de 2001
Benedito Teles<Br>De Santo Antônio da Platina 
O programa de Aliança Mercadológica da Carne, em fase de implantação no Norte Pioneiro do Estado, prevê a integração entre pecuaristas e varejistas para assegurar padrões de qualidade à carne bovina comercializada durante todo o ano no mercado local. O processo exige que o pecuarista acompanhe o percurso da carne a partir do nascimento, em propriedades de criadores, ou a partir da compra, nas propriedades de recria e terminação, até o varejista.
Mais qualidade
De acordo com os produtores o rastreamento, em parceria com o varejo e o setor de frigoríficos, durante toda a cadeia, além de beneficiar o consumidor com produtos de qualidade, aumenta a rentabilidade do criador e garante o abastecimento dos varejistas com carnes rastreadas no aspecto de sanidade e qualidade.
O grupo, formado por onze pecuaristas dos municípios de Santo Antônio da Platina, Abatiá, Jundiaí do Sul, Jacarezinho, Ribeirão do Pinhal, Guapirama e Conselheiro Mairinck, iniciou a experiência há cerca de seis semanas e está obtendo bons resultados. São abatidos, em média, seis animais por semana. O sistema garante a comercialização dos animais para o pecuarista e assegura o abastecimento de carnes de qualidade para o varejista.
O projeto, inspirado na Aliança Mercadológica realizada em Guarapuava, foi orientado por técnicos da Emater e tem o apoio da secretaria de estado da Agricultura e Abastecimento (Seab), Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep) e da Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar).
Dados completos
O pecuarista Edson Gaudêncio disse que a operação de rastreamento começa no embarque dos animais. Segundo ele cada animal, por meio de brincos numerados, recebe uma ficha em que são relacionados o sexo, a raça e a idade dos animais. Em uma segunda etapa uma comissão composta por membros da aliança acompanha o animal no processo de abate realizado nos frigoríficos para complementar as fichas com dados sobre o peso e a medida da camada de gordura.
Gaudêncio ressalta que o processo permite que o varejista tenha informações detalhadas sobre o produto que comercializa e repasse estas informações ao consumidor. Segundo o produtor o programa fortalece os pecuaristas e varejistas. Ele afirma que os pecuaristas conseguem obter uma carcaça de boa qualidade com maior rendimento de carne que pode ser comercializada por preços diferenciados e os varejistas têm condições de oferecer um produto com o rastreamento de origem e qualidade.
O pecuarista Fábio Auersvald ressalta que o projeto vai permitir que o produtor comercialize por preços diferenciados tanto novilhos precoces como não-precoces. Ele explica que o padrão utilizado pela aliança determina animais com até 24 meses e com peso, para carcaça de fêmea, de no mínimo 180 kg e, para carcaça de boi, de no mínimo 225 kg. No critério de acabamento de gordura os animais devem obter entre 03 a 10 milímetros de gordura.
Auersvald, disse ainda, que o programa prevê a adaptação dos frigoríficos da região para a melhoria da qualidade da carne. Segundo ele foi solicitada a redução na utilização de choques e cuidados no manuseio das carcaças para evitar batidas e choques. Ele explica que o objetivo é reduzir o stress dos animais para melhorar a qualidade e o rendimento das carcaças. O pecuarista lembra que os cuidados incluem até orientações ao caminhoneiro, responsável pelo transporte, para que o deslocamento dos animais seja realizado em ambiente tranquilo para não comprometer os animais, concluiu o pecuarista.


