Dorico da SilvaNaturalPaulo Enzo e os subprodutos do alho: uso in natura pode comprometer a saúde do animalAlém de saboroso tempero, o alho pode ser usado como poderoso repelente de insetos. A informação - que pode não ser novidade para alguns produtores - vem sendo divulgada pelo vendedor ambulante Paulo Enzo (‘‘Portuga’’), de Londrina, que fabrica e comercializa pasta de alho. A notícia é que ele está aproveitando os dentes pequenos, difíceis de serem descascados,‘‘para criar subprodutos usados experimentalmente no combate à mosca-do-chifre’’.
A idéia surgiu através de uma cliente, que comprava a pasta de alho pura, vendida como tempero, para misturar ao sal mineral e dar ao gado. O vendedor criou então três produtos: uma solução concentrada, que deve ser diluída na proporção de um litro para 10 de água e pulverizada no lombo do animal, como medida emergencial; um concentrado para ser misturado ao sal mineral, na proporção de um quilo para 10 de sal; e outro para ser misturado à ração ou silagem, no cocho, na mesma proporção do sal. Com exceção da solução, os concentrados devem ser utilizados na prevenção do inseto.
Todos os produtos são feitos com alho desidratado, para não comprometer a saúde do animal. ‘‘Se utilizado in natura, o alho é muito forte e pode causar queimaduras no couro ou irritações internas no animal. Por isso é preciso desidratá-lo e diluir corretamente os concentrados’’, alerta Paulo Enzo.
Ele lembra que as misturas para ração e sal não devem ser vistas como alimento, e sim como repelentes que, de quebra, têm ação vermífuga. O que funciona na prevenção da mosca-do-chifre, acredita, é o forte cheiro de alho, exalado direto pela solução ou pelo suor do animal, depois de alguns dias.
Em testeSegundo Enzo, a solução pode ser aplicada apenas uma vez, como medida emergencial para o problema. Depois, o produtor deve fazer o controle periódico com os concentrados de sal mineral ou ração a cada três meses.
Por enquanto os produtos, feitos sem qualquer aditivo químico, ainda estão sendo testados por produtores da região. ‘‘Eu comecei a usar há dez dias, e parece que funcionam mesmo no combate à mosca, mas eu ainda não sei se haverá algum benefício em termos de ganho de peso e qual será o custo do tratamento’’, informa o pecuarista José Eduardo Maluf, que testou a loção e os concentrados em um lote de 70 cabeças.
Maluf acha que o forte efeito do alho também está atuando positivamente na resistência às doenças e na parte digestiva dos animais. ‘‘Alguns produtos químicos combatem a mosca-do-chifre momentaneamente, mas depois ela volta a atacar. Neste caso isto não tem acontecido, provavelmente pelo cheiro que permanece no gado’’, diz.
Uso conhecidoA utilização do alho no combate à mosca que ataca o rebanho bovino não é novidade no Mato Grosso do Sul, onde produtores de Campo Grande vêm fazendo a experiência com o condimento há cerca de três anos. De acordo com o pesquisador da Área de Parasitologia da Embrapa Gado de Corte, Ivo Bianchin, a utilização pelos mato-grossenses vem sendo feita na forma de alho em pó, que é misturado ao sal mineral. Os pecuaristas, segundo o pesquisador, vêm obtendo bons resultados, mas em termos científicos não há nada que comprove a eficiência do produto no combate ao inseto.
Bianchin acha que o alho não representa riscos para a saúde dos animais, mas não pode garantir que realmente sirva como inseticida. ‘‘Não há nenhum material publicado, nacional ou internacionalmente, que comprove os resultados. Já existem pesquisas na área, mas por enquanto é cedo para afirmar qualquer coisa.’’

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