A Embrapa Algodão, de Campina Grande, na Paraíba, está ampliando seu projeto de desenvolvimento de variedades de algodão colorido iniciado há 10 anos e que já resultou no produto com as tonalidades marrom e, numa variação da cor creme. A pesquisa trabalha atualmente para viabilizar o algodão verde, um produto que poderá ter um diferencial de preço, para o produtor, de até 30% em relação ao algodão convencional.
O algodão verde servirá para viabilizar a oferta de um produto diferenciado e, consequentemente, maior rendimento ao pequeno produtor, hoje sem condições de competir com grandes produtores no cultivo do algodão tradicional, afirma o pesquisador da Embrapa, Alderi Araújo. ''Para os pequenos é preciso ofertar um produto diferenciado no mercado.''
O algodão convencional, segundo Araújo, tem rendimento médio de 1.300 kg/ha e o colorido cerca de 10% a menos. ''Mesmo tendo rendimento menor por hectare a compensação está no preço de comercialização.'' No caso do tipo marrom, por exemplo, um grupo de produtores, com a ajuda da Embrapa firmou convênio com 10 indústrias de Campina Grande, chamado Consórcio Natural Fashion, e consegue vender seu produto com 20% a 30% a mais. A expectativa agora é pela oferta do algodão verde.
Interesse da indústria A indústria têxtil também é beneficiada, avisa Araújo. ''Elas têm interesse no produto para atender consumidores que têm alergia a corantes artificiais utilizados na confecção de roupas ou outros produtos. A utilização do algodão colorido na indústria evita uso de corantes químicos para tingir os tecidos, resultando na eliminação de menor quantidade de efluentes tóxicos no meio ambiente.''
O tipo verde, segundo o pesquisador, também possibilita o marketing de um produto natural e ambientalmente correto, já que as lavouras são conduzidas de forma a afetar o menos possível o meio ambiente, evitando uso de agrotóxicos e fazendo manejo integrado de pragas através de lavouras iscas e armadilhas para insetos, adubação orgânica, inseticidas biológicos, entre outros manejos.
Demanda crescente A demanda por este tipo de produto no Brasil, de acordo com Alderi Araújo, fica entre 1% e 2%. ''Parece ser um percentual pequeno, mas se considerarmos que o consumo no País é de 900 mil toneladas de algodão em pluma, a demanda passa a ser significativa.''
Já o mercado mundial tem uma demanda de 2% a 3% com a tendência de crescimento. Há uma preocupação mundial em consumir não só alimentos ambientalmente corretos, mas também roupas que foram produzidas a partir de matérias-primas que não afetam o biosistema. O algodão colorido é destinado a atender este mercado.
Segundo o chefe de pesquisa da Embrapa, a variedade do algodão colorido marrom já está disponível comercialmente desde o início do ano passado. A variedade é adaptada para o clima semi-árido nordestino. Já o verde está sendo cultivado experimentalmente não só no Nordeste mas também na região de Uberlândia (MG). Ele estima que daqui dois anos a nova variedade deverá ser liberada para cultivo comercial.
A condução da lavoura com menor uso de veneno, de acordo com o pesquisador, é beneficiada pelo clima de regiões mais secas, onde há menor incidência de pragas e doenças. Para outras regiões ainda é preciso realizar mais estudos. Outra medida que os agricultores têm adotado é planejar estratégicamente a época de plantio que tem início no mês de novembro para fugir de pragas e doenças.
Como é a planta O algodão colorido, diferente do tipo que é produzido nos Cerrados (região de maior cultivo no País), é uma planta semi-perene, que só deverá ser replantada após o terceiro ano de produção. Depois de cada colheita pode-se usar os restos da lavoura como pastoreio para bovinos.

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