Algodão subsidiado dos EUA rouba mercado do Brasil
Os preços baixos criados pela distorção reduziram investimentos na cultura tanto no Brasil quanto em outros países onde o custo de produção é menor que nos EUA, evidenciando o propósito de Washington em enfraquecer a concorrência. O derrame de algodão barato dos EUA no mercado internacional ''roubou'' clientes dos países concorrentes não subsidiados, o que fez crescer a pobreza em nações do Oeste da África que dependiam da produção de algodão.
Um estudo feito com base em metodologias utilizadas tanto por Washington quanto pelo Congresso norte-americano mostra que, sem a agressiva política de subsídios, a produção de algodão nos EUA seria 28,7% menor, as exportações seriam 41,2% inferiores às atuais e os preços internacionais teriam um ganho de 12,6%, ou de US$ 0,065 por libra/peso. As informações enviadas à OMC pelo Brasil resultaram na quebra da Cláusula da Paz relativa ao setor de algodão nos EUA, pois comprovaram que os americanos violaram o acordo firmado na Rodada Uruguai.
O acordo estabelecia que os países ricos não teriam suas políticas de subsídios agrícolas questionadas na OMC até 31 de dezembro de 2003, desde que não aumentassem a carga de pagamentos diretos à produção e exportação agropecuárias aplicada no ano de 1992. O Brasil provou que os EUA aplicaram, entre 1999 e 2002 montantes entre US$ 2,2 bilhões e US$ 4 bilhões anuais no algodão, o que tornou a Cláusula de Paz inaplicável e abriu a possibilidade para o processo. Isto porque em 1992 o gasto do governo dos EUA com subsídios ao setor foi de US$ 2,1 bilhões.





