A mecanização das lavouras de algodão está viabilizando o retorno da cultura para a região de Maringá, no Noroeste do Paraná. A área ainda é pequena, em torno de 14 mil hectares, porém, cerca de 20% superior ao registrado na safra passada.
No Paraná, que há menos de 10 anos liderava a produção nacional da fibra, o algodão ocupa cerca de 65 mil hectares, área, que segundo os técnicos, deverá ficar estabilizada. ‘‘O produtor tem que se reciclar para voltar à cultura’’, avisa o agrônomo José Ademir Ranieri, coordenador de algodão da Cocamar, de Maringá.
A cultura vai bem em qualquer tipo de solo, mas é preciso investir antes mesmo do plantio. ‘‘O mercado da fibra é muito variável, está em um momento delicado, e só com boa produção é compensador’’, explica Ranieri.
Para alcançar uma boa produtividade, recomenda o agrônomo, é preciso melhorar as condições gerais de fertilidade do solo. O agricultor deve optar também por variedades de última geração, algumas com bons rendimentos e resistentes a doenças.
Variedades indicadas O agrônomo Luis Ranieri recomenda as variedades Iapar 95, Codetec 401 e Codetec 404, que em lavouras de agricultores da cooperativa, têm alcançado em torno de 600 arrobas por alqueire. ‘‘Resultado excelente, graças também à ajuda do clima favorável’’, lembra.
Mesmo diante da cotação em baixa, em torno de R$ 8,50 a arroba, os produtores se mostram animados com a cultura do algodão. ‘‘O lucro ainda fica acima do rendimento da soja’’, garante o agricultor Luis Carlos Molina, de Cruzeiro do Sul.
Colheita mecanizada Além de seguir as recomendações técnicas, Luis Molina optou pela colheita mecanizada. As colheitadeiras vieram de proprietários do Mato Grosso, onde as lavouras apresentam ciclo mais tardio. ‘‘A colheita mecanizada é outra forma de reduzir despesas e melhorar a qualidade da fibra’’, garante o agrônomo Ranieri. O custo de locação do equipamento é de R$ 700,00 por hectare, o que diante da produção regional está alcançando R$ 1,17 por arroba.
Pelos cálculos de Ranieri, as máquinas reduzem em pelo menos 6% o custo final da colheita. ‘‘Sem levar em conta alguns custos trabalhistas que sempre surgem com a contratação de mão-de-obra’’, lembra.
A mecanização também não tira o trabalhador da lavoura de algodão. Segundo o agrônomo, existem áreas onde a cultura exige a colheita manual. ‘‘Mesmo com os equipamentos, o algodão oferece mais trabalho que outras culturas tradicionais de verão.’’
A colheita mecanizada também melhora a qualidade final da fibra. Ranieri explica que no serviço manual, muita impureza é misturada às fibras. ‘‘Fora resto de talos e de cascas, existe também a mistura de fibras do próprio saco de colheita com o algodão, o que reduz a qualidade’’, conta. Nas áreas de colheita mecânica da região da Cocamar, o tipo de fibra tem ficado entre as melhores.
Na rotação Técnicos e agricultores esperam também uma resposta do Governo de incentivo à cultura. ‘‘O algodão é uma boa opção para a rotação de culturas ou para reforma de pastagens, além de garantir o emprego de uma mão-de-obra de menor qualificação’’, diz o agrônomo. Ele lembra que a cultura ‘‘migrou’’ para o Mato Grosso graças aos incentivos oferecidos por aquele Estado. ‘‘Parte do ICMS recolhido com a fibra volta em forma de pesquisa para o campo’’, revela.

mockup