O Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), vinculado à Secretaria da Agricultura, está lançando três novas variedades de algodão, testadas e aprovadas para todas as regiões do Paraná. As variedades são IPR 94, IPR 95 e IPR 96. Ao lançar essas variedades, os pesquisadores do Iapar levaram em consideração aspectos como avanço da mecanização, mercado globalizado, diminuição nas diferenças regionais, sobretudo quanto à doenças. Segundo o pesquisador Wilson Paes de Almeida, estes e outros fatores estão alinhando os objetivos dos programas de melhoramento para um tipo de planta, mais versátil, de conformação lateral mais compacta, com resistência múltipla a doenças e de alta qualidade tecnológica de fibra.
O pesquisador destaca os maiores pesos de capulho das novas IPR. As ''maçãs'' são maiores e a aderência do algodão na ''casca'' é menor, o que facilita a retirada do algodão da cápsula, fazendo das cultivares IPR 94 e IPR 96 excelentes materiais para colheita manual, explica. Por outro lado, a arquitetura de planta, especialmente da cultivar IPR 95, de conformação mais compacta, com inserção do primeiro ramo frutífero mais alta, conferem-lhe características muito favoráveis à colheita mecanizada.
Melhoramento ''O programa de melhoramento genético do algodoeiro desenvolvido no Iapar tem dois objetivos principais: aumentar renda, via elevação de produtividade, percentagem e qualidade de fibra; e reduzir custos e riscos, através de melhor adaptação e resistência/tolerância das cultivares às doenças de maior importância'', afirma Wilson Paes.
As novas cultivares foram obtidas a partir de hibridações simples entre cultivares comerciais. De um lado a cultivar IAPAR 71, de origem nacional; de outro, as cultivares Deltapine Acala 90, de origem americana, ou CNPA Ita 90, derivada da última. O planejamento desses cruzamentos levou em conta a complementaridade de características entre elas, particularmente em relação a doenças.
Só para o Paraná A indicação de cultivo das cultivares IPR está restrita, até o momento, ao Paraná, em razão dos trabalhos de pesquisa terem sido iniciados nesse Estado. Resultados muito promissores vêm sendo obtidos em outros estados, fazendo prever futura extensão de indicação nos próximos anos. Na safra 2000/2001, as novas cultivares foram utilizadas exclusivamente para produção de sementes, em cerca de 70 propriedades de diferentes regiões algodoeiras paranaenses. Em face das altas produtividades obtidas, dos rendimentos alcançados no beneficiamento e do desempenho industrial da fibra, prevê-se grande ampliação na área cultivada com elas. A disponibilidade de sementes é de 600 toneladas, englobando as classes básica, certificada e fiscalizada. Algoeste, Coagel e Coceal são as empresas paranaenses licenciadas para produção e comercialização de sementes das novas cultivares.

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