No Brasil, o que se vê é boa parte das grandes empresas do agro – inclusive multinacionais – apostando em tecnologias em que o retorno financeiro vai ser, digamos, mais rápido. No caso dos grãos, o potencial financeiro dos produtores acaba gerando esse movimento de inovação de forma mais intensa, principalmente a partir dos médios produtores.

Mas nas chamadas parcerias público-privadas, a diversidade de tecnologias para outras culturas acaba sendo maior. A Embrapa consegue fomentar essa pluralidade de inovações de forma bem eficiente. Nesta semana, diversas tecnologias foram apresentadas.

A cultivar de alface BRS Mediterrânea é resultado da pesquisa para entregar ao setor produtivo variedades mais adaptadas às condições ambientais ocasionadas pelas mudanças climáticas. Através de um melhoramento genético, o principal diferencial em relação a outros materiais comerciais no mercado é a tolerância ao florescimento provocado pelo calor, uma qualidade importante devido às elevações de temperatura nas regiões produtoras e ao cenário de mudanças do clima.

Ela também se destaca pelo vigor no crescimento vegetativo, sendo, em média, sete dias mais precoce que as cultivares comerciais no mercado. Ou seja, mesmo em condições de temperatura superior à faixa de temperatura ideal de cultivo, as plantas atingem o ponto de colheita, com qualidade e padrão comercial, em um menor intervalo de tempo.

Outro destaque nesta semana foi a BRS Guaraçá, uma planta híbrida - que mistura características de goiabeira e de araçazeiro - para ser utilizada como porta-enxerto e considerada a primeira tecnologia altamente eficiente para o controle do nematoide-das-galhas, atualmente o principal desafio da cultura da goiaba em território nacional.

A cultivar vem resolver um problema de dimensão nacional, pois o patógeno Meloidogyne enterolobii já foi registrado em áreas de 19 estados brasileiros. No Vale do São Francisco (Pernambuco e Bahia), um dos principais polos de produção de frutas do país, sua presença destrutiva em pomares de goiabeira foi identificada em 2001, dizimando mais da metade da área cultivada na região.

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