A primavera começa depois de amanhã, 22 de setembro, às 20h56 e terminará dia 21 de dezembro. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) lembra que o período é caracterizado no Norte, no Centro e no Sul do Brasil pelo início das chuvas, ‘‘muitas vezes associadas a temporais, granizo, vendavais com ventos muito fortes e que poderão ser excepcionalmente mais acentuados neste ano de 1997.
Para fazer a análise das características e das condições meteorológicas que deverão ocorrer em determinado período, em todo o País, o Inmet utiliza modelos numéricos de previsão climática de longo prazo. Estes parâmetros indicam que ‘‘os fenômenos atmosféricos, especialmente nesta primavera, sofrerão a influência de um fenômeno meteorológico de larga escala ‘El Ni¤o’, que vem se desenvolvendo com grande intensidade no Oceano Pacífico e que resultará em flutuações climáticas em várias regiões do Brasil e do Mundo.’’
O mais forte‘‘As condições oceânicas e atmosféricas observadas sobre o Oceano Pacífico equatorial têm mostrado’’, segundo o Inmet, aumento das temperaturas na superfície do mar. Durante o mês de agosto essas anomalias foram observadas e comparadas com os valores médios de temperatura, vento e radiação de onda longa, ocorridos em eventos anteriores, pelo Instituto e mostram que ‘‘o El Ni¤o de 1997/1998, está sendo o mais forte desde 1982/1983, e talvez do século.
No alerta, o Inmet aponta as tendências do comportamento climático na primavera em cada região do Brasil: ‘‘A tendência meteorológica nas regiões Centro-Oeste e Sudeste do Brasil depende, neste período, de dois sistemas: Alta da Bolívia (que deverá ficar estacionada mais ao sul) e da Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS), com forte banda de nuvens e chuvas intensas, associadas ao deslocamento das frentes frias vindas do Sul do Continente’’.
Entretanto, acrescenta, ‘‘a contribuição do fenômeno El Ni¤o gera maior instabilidade nestes sistemas, ocasionando grandes irregularidades climáticas, bem como precipitações acima da média e elevação do nível dos rios e outros efeitos.’’
Região Norte:‘‘Com a intensificação do El Ni¤o, um forte sistema de subsidência (parte da célula de Walker) passa a atuar no litoral do Pará, forçando a descida do ar seco em direção ao sul. Nessas condições as precipitações deverão ficar abaixo do normal em quase toda a região, com ocorrência de veranicos de 10 a 20 dias entre novembro e dezembro no Estado de Tocantins. As temperaturas máximas deverão ficar acima de 30ºC na região. No Estado de Tocantins, as temperaturas máximas no mês de outubro ficarão acima de 33ºC. As temperaturas mínimas sofrerão pouca variação, ficando entre 22 e 24ºC.’’
Região Centro-Oeste:‘‘O período das chuvas começa na segunda quinzena de setembro, com uma forte irregularidade e ocorrência de veranicos de 10 a 20 dias, principalmente no final de outubro e mês de novembro no Estado de Goiás e, em dezembro, em Mato Grosso. No estado do Mato Grosso do Sul, devido ao deslocamento mais ao sul do sistema de Alta da Bolívia, as chuvas ocorrerão de forma irregular e bem acima do normal. Poderemos ter ventos e precipitações fortes, com queda de granizo.
Nos Estados do Mato Grosso do Sul e Goiás as temperaturas permanecerão altas por todo o período.’’
Região Sudeste:‘‘Com a Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS) estacionada mais ao sul do Brasil, as condições meteorológicas para o Estado de São Paulo, Rio de Janeiro e Sul de Minas Gerais, são de irregularidades na distribuição temporal das precipitações e acima do normal, com a ocorrência de ventos e chuvas fortes com granizo. As temperaturas deverão ficar acima do normal. No Norte de Minas Gerais a tendência é de uma forte estiagem, já que essa região sofre a influência da região Nordeste. No Espírito Santo as chuvas sofrerão irregularidades na distribuição, tanto espacial como temporal. As temperaturas máximas médias deverão ficar acima do normal, atingindo 33ºC ou mais. Em São Paulo, Rio de Janeiro e Norte de Minas Gerais, as temperaturas poderão ultrapassar de 40ºC.’’
Região Sul:‘‘Devido à posição mais ao sul da Alta da Bolívia, as chuvas, a partir de outubro, poderão ocorrer muito acima da média nos três Estados da região, ocasionando a elevação no nível dos rios no Paraná e especialmente a ocorrência de enchentes em Santa Catarina, especificamente
no Vale do Itajaí, como a que ocorreu em 1982/83.
As temperaturas máximas médias deverão ficar entre 30 e 33 ºC; na região da Serra do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná entre 23 a 26ºC. As temperaturas mínimas médias deverão ficar entre 15 e 18ºC e de 13 a 15ºC na Serra do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. As temperaturas deverão ficar de 2 a 4ºC acima da média.’’

mockup