Alerta para riscos de incêndios
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 12 de maio de 2000
Cristina Côrtes De Londrina 
No próximo mês começa a época de maior risco de incêndios nas propriedades rurais e florestas no Paraná. É o período crítico que coincide com os meses de inverno, onde o mato seco e as poucas chuvas favorecem a rápida propagação de qualquer princípio de fogo.
Os incêndios têm sido apontados como a terceira causa de redução da cobertura florestal do Paraná, que também sofre com a exploração comercial da matéria-prima florestal e com a expansão das fronteiras agrícolas. No ano passado os incêndios atingiram ll7.408 hectares, dos quais 70.987 hectares no Parque Nacional de Ilha Grande, no Rio Paraná. Houve um crescimento significativo da área atingida, comparando-se aos incêndios de 98 que atingiram 5.950 ha.
IntegraçãoSegundo o major Sérgio Gonçalves de Oliveira, chefe da Divisão de Defesa Civil do Estado, o estrago provocado pelo fogo em 99 só não foi maior porque houve esforço integrado dos diversos órgãos que compõem o Comitê Executivo do Plano de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais (Previflor). Segundo o major, o aumento da área atingida foi provocado pela forte estiagem.
O efeito La Niña provocou uma das secas mais fortes dos últimos anos no Estado, e a previsão para este ano é de que o fenômeno se repita. No próximo mês já iniciaremos várias atividades de reciclagem nos diversos órgãos, para trabalharmos de modo preventivo, comenta Gonçalves.
O maior incêndio florestal ocorrido no Paraná foi em 1963 quando o fogo consumiu 2.000.000 (dois milhões) de hectares, incluídos florestas e vegetação rasteira (campos, lavouras, etc). Não queremos mais voltar a atingir estes números, comenta Gonçalves. O Estado vem sofrendo grandes prejuízos ambientais e econômicos em decorrência dos incêndios, e é o único Estado a ter um plano estadual de combate e prevenção aos incêndios florestais, completa.
CausasAs principais causas de incêndios florestais são as queimadas feitas por produtores como manejo para limpar o terreno e pontas de cigarros jogadas nas estradas. Tem ainda os casos provocados por fogueiras feitas em acampamentos, raios e balões de festas juninas.
Para evitar ou minimizar a ocorrência desse problema nas florestas paranaenses, o Governo do Estado está realizando uma política de orientação aos agricultores, grandes vetores de incêndio, para que evitem as queimadas para limpeza do solo, ou, pelo menos, quando fizerem queimadas, façam-nas de forma a não colocar em risco as reservas vizinhas.
Começar um incêndio é fácil, difícil é controlá-lo, alerta o major. Ele avisa que controlar um incêndio, em época de estiagem, é quase impossível. Não deixe que o fogo destrua nosso Estado. Uma faísca pode ser fatal. A prevenção permanente é a única maneira de se evitar os incêndios. estes apelos fazem parte das orientações do Previflor.
Tipos de incêndiosOs incêndios florestais podem ser de três tipos básicos. Primeiro, o de solo ocorrem sob o solo, queimando restos vegetais semidecompostos que formam o piso da floresta. Neste caso o fogo é lento e sem chamas, devido ao pouco oxigênio existente, e provoca a morte das raízes e dos microorganismos. Este tipo de incêndio caminha e pode se tornar catastrófico quando encontra situações favoráveis.
Os incêndios tipo superficiais, queimam a superfície do solo, os vegetais mais baixos e os troncos. É de propagação rápida, com muitas chamas e muito calor. É o incêndio mais comum. E o terceiro tipo é o de copa que se origina em incêndios superficiais ou de raios e queimam as copas das árvores. O combate é difícil, senão impossível, com efeitos devastadores.
O incêndio florestal começa em um pequeno ponto e se propaga em círculos. Depois muda de direção, dependendo principalmente da direção do vento.
Se o incêndio for morro acima, o fogo será com maior velocidade.
Nas horas mais quentes do dia (das 14h às 16h), terá maior intensidade. Durante a madrugada é o melhor período de combatê-lo, pois o fogo é menos intenso.
PrevençãoPara este ano o Previflor já está sendo mobilizado e os trabalhos de campanha preventiva estão sendo desencadeados pelos órgãos envolvidos, visto que no período de inverno aumentam os riscos de incêndios florestais e toda estrutura do Estado estará disponível para eventuais ocorrências.
Desse processo de prevenção foi lançada, em setembro de 1999, a home-page de divulgação dos riscos climáticos de incêndios florestais e condições para queimadas controladas, elaborada pelo Sistema Meteorológico do Paraná (Simepar), que tem o seguinte endereço na Internet: http://www.simepar.br/defcivil. A home-page foi desenvolvida para subsidiar o Plano de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais no Estado do Paraná, que é estruturado sob a coordenação da Defesa Civil.
A home-page dos riscos de incêndios florestais traz o índice pluviométrico, o índice de dias acumulados de estiagem, previsão de geadas com antecedência de 10 a 30 dias, a direção do vento, a umidade do ar, entre outras informações atinentes. Estes dados transformam-se em um importante instrumento de prevenção e controle aos incêndios florestais para o Paraná, numa linguagem simples e de fácil interpretação gráfica.
O Sistema Meteorológico do Paraná (Simepar) está monitorando os 399 (trezentos e noventa e nove) municípios do Estado, no que diz respeito aos fatores climáticos. Os dados são convertidos em informações técnicas que servem de alerta para a população em geral e conscientização para a prevenção aos incêndios florestais que, muitas vezes, iniciam-se com um simples jogar, inadvertido, de um cigarro aceso na margem da estrada.
O Instituto Ambiental do Paraná e a Emater possuem equipes que orientam a comunidade rural, distribuem cartilhas e panfletos, além do índice de riscos de incêndios florestais. Esta informação agora está disponível também na internet.
A Defesa Civil, o Corpo de Bombeiros, a Polícia Florestal e Polícia Rodoviária farão o mesmo trabalho preventivo, englobando a comunidade das cidades e os usuários das estradas.


