Além de alimentos, Brasil precisa exportar conhecimento
Quando se olha para a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, da Organização das Nações Unidas (ONU), é possível perceber que o agronegócio permeia entre os 17 objetivos globais, sendo que o segundo deles o setor olha com mais atenção: "Acabar com a fome, alcançar a segurança alimentar e melhoria da nutrição e promover a agricultura". Aqui, o País precisa entrar firme e a ONU sabe disso.
O representante da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) no Brasil, Alan Bojanic, relata que associar o nome do Brasil à essas questões alimentares pelo mundo é o que ele chama de "diplomacia da segurança alimentar". "Temos absoluta certeza que no ano de 2025 o Brasil vai ultrapassar as 300 milhões de toneladas. Pelo empreendedorismo que o Brasil tem, pela evolução, é uma expectativa realista, baseada em fatos."
Bojanic cita que hoje uma em quatro pessoas na África está em insegurança alimentar atualmente, e que o continente importa US$ 60 bilhões em alimentos por ano. "Nem Austrália, nem Canadá e nem EUA vão nesse ritmo que o mundo precisa", relata ele.
Mais do que volume de alimentos, o representante da FAO ressalta que o Brasil também deve exportar conhecimento. "São tecnologias, como a Integração Lavoura Pecuária Floresta (ILPF), plantio direto, e outras tantas ligadas à sustentabilidade. O Brasil precisa ser modelo em sustentabilidade e estamos indo nesta rota. Precisamos ter essa diplomacia para exportar o modelo agropecuário brasileiro."
Ele também cita outros desafios ao País que são importantes nessa caminhada para o protagonismo: fomentar uma liderança em agroenergia, com esforços para projetar e reduzir o efeito estufa e a poluição. "O Brasil também precisa ser líder em empreendedorismo e isso acaba nos levando ao tema cooperativismo, em que o Paraná é uma grande referência. Isso precisa ser projetado para fora, com maior difusão, porque com certeza está dando certo."
As universidades brasileiras com foco no agronegócio também foram lembradas por Bojanic, como é o caso da Esalq/USP (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz), que está entre as 10 melhores do mundo neste segmento. "Precisamos ter outras mais, dinamizar universidades na Amazônia, com conhecimento agropecuário vinculado à pesquisa, com esforços de integrar os produtores nessas atividades."
Por fim, ele salienta que o mundo de hoje incluindo o agronegócio - não é mais possível sem a "tecnologia digital, robótica, inteligência artificial e big data no campo". "Precisamos massificar (essas tecnologias). É uma ideia chave em que é necessário articular esforços entre o setor de pesquisa e o privado." (V.L.)





