Eucalipto, árvore com princípios alelopáticosAlelopatia e agricultura
Marco Aurélio MaywornO uso de produtos químicos no combate às pragas, apesar de trazer resultados rápidos, deve ser visto com cuidado, devido aos riscos gerados: contaminação de lençóis freáticos por infiltrações e vazamentos de pesticidas, destruição completa de plantações, desenvolvimento de resistência dos insetos e ervas daninhas, surgimento de um número maior de doenças de pele e de pulmão devido à exposição a esses produtos.
Essa situação alarmante pede uma investigação de alternativas viáveis ou complementares aos agentes químicos, que envolvam práticas de baixo custo, biodegradáveis e disponíveis, como policultura, rotação de culturas, controle biológico, além do uso de herbicidas e pesticidas naturais, a fim de que se possa manter a produção agrícola, agredindo menos o ambiente.
Na Natureza, ao longo de milhões de anos de evolução, as plantas desenvolveram uma série de substâncias secundárias que contribuíram para reduzir ou inibir a predação por microorganismos, insetos, pássaros e mamíferos. Além dessas funções, os metabólitos secundários são úteis para as plantas na conquista do ambiente, porque interferem no desenvolvimento de outras plantas. Tais substâncias são chamadas aleloquímicas ou alelopáticas e há muito vêm sendo estudadas pelo homem, na busca de novos herbicidas naturais e de seus efeitos sobre as áreas cultivadas. Estes estudos podem ter caráter ecológico, já que a alelopatia possui papel fundamental na manutenção e em modificações que ocorrem nas formações vegetais, ou papel econômico, com a observação dos efeitos gerados por plantas invasoras sobre plantas cultivadas (e vice-versa), na rotação de culturas e na utilização adequada de adubos verdes.
Pesquisas possibilitam o isolamento de inúmeras substâncias, mostrando sua ação alelopática e servindo de base para produção de herbicidas e outros praguicidas, ou mesmo em projetos de hibridização e melhoramento vegetal. No Brasil poucos grupos têm voltado sua atenção a esta linha de trabalho, apesar da grande diversidade da flora brasileira. Procurando contribuir para mudar essa situação, o recém-inaugurado Laboratório de Fitoquímica da Universidade de Santo Amaro (Unisa) vem estabelecendo parcerias com outras instituições de pesquisa, como o Instituto Agronômico de Campinas, Instituto Biológico e Universidade de São Paulo. O objetivo é estudar o potencial aleloquímico, inseticida e acaricida de diversas espécies da flora brasileira, gerando espaço e temas para monografias de conclusão de curso.
O autor é professor de Botânica na Faculdade de Biologia da Universidade de Santo Amaro (Unisa).

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