Alca é tema de palestra na Expoingá
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sexta-feira, 11 de maio de 2001
Marta Medeiros De Maringá 
A importância da Alca para a agricultura, é o tema da palestra que o presidente da Sociedade Rural Brasileira, Luiz Marcos Suplicy Harfes, faz neste sábado, às 9 horas, no auditório da Sociedade Rural de Maringá, dentro da programação da Expoingá. Segundo Harfes, os produtores devem estar atentos para pressionar o Governo Federal sobre as condições para o Brasil no projeto de criação, a partir de 2005, da Área de Livre Comércio das Américas (Alca).
Para Harfes, o grande atrativo para o mercado brasileiro é a possibilidade de exportação sem barreiras tarifárias para os Estados Unidos. Ele lembra que a tarifa sobre a laranja é alta e que as cotas estabelecidas para o açúcar inviabilizam o aumento da exportação. Além disso, os EUA subsidiam internamente o frango e a soja, implicando na concorrência dos produtos brasileiros. Os Estados Unidos também não deixam o álcool brasileiro entrar no país, acrescentou o presidente da SRB.
Harfes diz que estas imposições devem ser derrubadas para que a Alca se transforme em um mercado de fato interessante para o Brasil. Ele diz que o ponto positivo do discurso feito pelo presidente Fernando Henrique Cardoso durante a Cúpula das Américas, realizada em abril, no Canadá, foi a ressalva de que sem a agricultura não tem Alca. O FHC só falou isso porque levou para lá o reflexo da pressão que começamos a fazer e pretendemos continuar para que o Brasil não se transforme em um mercado de um lado só, disse Harfes.
Segundo o presidente da SRB, os agricultores não podem admitir a pressão americana de que só produtos dos Estados Unidos entrem em nosso País sem contrapartida brasileira. A condição de que eles podem e nós não, deve ser descartada de qualquer discussão sobre a Alca, lembrou ainda Harfes. Ele diz que o estabelecimento de regras para a criação do mercado livre depende da união dos produtores rurais por meio das entidades e federações. Devemos ser teimosos, atentos e ativos, indica Harfes.
Fórum Na agenda de palestras da Expoingá, a Casa Mercosul, entidade ligada a Associação Comercial e Industrial de Maringá (Acim) programou o 1º Fórum Internacional de Negócios. O evento será realizado no dia 19 e vai levar para o parque de exposições representantes de câmaras de comércio de cinco países. Eles vão mostrar dados econômicos, interesses de parcerias e oportunidades de negócios para exportação.
Segundo a coordenadora da Casa Mercosul, Maria Alice Bourdoun, o fórum não vai estar restrito ao setor agropecuário, mas países como a Itália devem mostrar interesse no comércio de produção de alimentos orgânicos, além da distribuição e envasamento de vinho. Para o evento estão programadas ainda a vinda de representantes da Venezuela, Cuba, México e da cidade Hong Kong.
Outro país interessante para negócios brasileiros, conforme Maria Alice, é o México que conseguiu um salto nas exportações de R$ 100 bilhões. Ela conta que esta meta o Brasil tenta atingir desde 1998, mas previsões apontam para uma conquista semelhante apenas para 2002. Os mexicanos conseguiram ampliar as exportações porque conseguiram trabalhar de forma conjunta as pequenas empresas, conta a coordenadora da Casa Mercosul.
Durante a Expoingá estão programadas ainda oito palestras que serão realizadas no auditório da Sociedade Rural. Na segunda-feira, às 14 horas, Recuperação de áreas de pastagens degradadas através da integração lavoura e pecuária. Dia 15, às 13h30, Manejo de qualidade da água para engorda e pesca na piscicultura e às 19 horas, Biotecnologia da reprodução animal. Dia 16, às 14 horas, Turismo rural e às 19 horas Sistemas de aquecimento solar. Dia 17, às 14 horas, Oportunidade e desafios da indústria de alimentos e às 19h30, Raça Caracu e suas potencialidades. Dia 18, às 14 horas, Agronegócios e comércio eletrônico.


