Ajustes podem ampliar agronegócios
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sábado, 29 de dezembro de 2001
Cláudia Barberato<bR>Reportagem Local 
O Paraná é privilegiado em clima e solo, mas ainda é preciso fazer ajustes finos que possibilitem uma diversificação na produção agrícola. Aqui tudo o que se planta produz, mas falta maior dimensionamento na organização das cadeias produtivas. A opinião é do agrônomo e pesquisador Adelar Motter, da Área de Difusão de Tecnologias do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), com sede em Londrina. Motter foi um dos pioneiros a realizar trabalhos sobre estudos as cadeias produtivas no Estado.
No Estado existem ilhas de produção, bem direcionadas, com produtores que tratam propriedades como empresas. Essa minoria de agricultores não reflete a realidade. A grande maioria da população da zona rural não teve acesso à educação básica e enfrenta dificuldade em organizar-se, administrar um negócio, ver além da porteira e, principalmente participar de movimentos que dependem de fidelidade e união da classe.
A produção de um produto acaba quando alguém o consome. Não basta apenas plantar, cuidar bem, colher, se não se tem preço remunerador ou consumidor comprando e aprovando o produto. Onde existe uma mínima mobilização local é possível haver crescimento das ''empresas'' rurais e ampliar os mercados e ganhos.
Demanda de novas tecnologias
A pedido da Secretaria de Agricultura do Paraná Adelar Motter elaborou entre 1995 e 1998 o Estudo das Cadeias Produtivas do Agronegócio Paranaense. Na época o enfoque era direcionado para a demanda de tecnologias de alguns setores de produção como milho, borracha, trigo, leite e seda. O objetivo era reunir informações para gerar políticas públicas e planejamento de organizações públicas e privadas).
Motter acredita que os atuais programas de Governo como Fábrica do Agricultura e o Paraná Agroindustrial foram decorrentes desses primeiros estudos. Segundo o agrônomo o Fábrica do Agricultor tem cumprido bem o objetivo inicial de ''incentivar o produtor a apostar no valor agregado da sua produção, especialmente aqueles que não possuem escala e têm poblemas para acessar mercados, transformando sua produção na propriedade e conseguindo aumentar sua rentabilidade.''
No caso do Paraná Agroindustrial, admite Motter, embora já se tenha conseguido avanços na instalação de agroindústrias no Estado ou a valorização das já existentes ainda é preciso tornar essas indústrias mais competitivas no mercado, seja ele interno ou externo.
O Estado, segundo Motter, tem clima e solo que possibilitam uma diversidade de culturas agrícolas. Além disso, está estratégicamente perto do maior centro consumidor do País: São Paulo. Tem também produção de grãos tipo exportação e acesso ao mercado externo. Mesmo assim precisa dimensionar melhor o que produzir, de forma a encontrar alternativas econômicas mais interessantes de usar o espaço rural e aumentar a rentabilidade.
''É possível fazer nascer e crescer empresas locais ou regionais e ampliar, com a mobilização dos agricultores, os mercados compradores,'' afirma Motter. No caso da Fábrica do Agricultor a transformação das produções que antes eram apenas para consumo familiar como doces, embutidos, queijos, entre outros, podem ser no futuro grande alternativa de mercado. O desafio, segundo Mauro Del Grossi, está em planejar como e onde fazer isso e, mais importante, para quem vender. O produto local também deve criar identidade. O próximo passo será conseguir escala e acesso ao mercado.
Ocupar nichos de mercado
''Temos ainda condições de ocupar espaços nos mercados não convencionais, especialmente os orgânicos e não-transgênicos,'' completa o pesquisador Mauro Del Grossi, do Iapar, um dos estudiosos do chamado novo rural, uma modalidade que vem transformando a zona rural em fonte de outras alternativas chamadas não agrícolas mas que cada vez mais agregam valor para quem está no campo.
Turismo, pesque-pagues, prestação de serviços, entre outros, estão ampliando as rendas das propriedades e colaborando na manutenção das pessoas na zona rural, afirma Mauro Del Grossi.


