Faltando menos de um mês para o início do plantio do trigo no Norte do Paraná, o Ministério da Agricultura ainda não divulgou a política agrícola para esta safra. Pesquisadores estão preocupados, porque neste ano devem-se concretizar as previsões feitas anteriormente sobre o risco de falta de trigo e o preço alto que o Brasil pagará por não ser auto-suficiente.
A Argentina, principal fornecedora de trigo para o Brasil, está reduzindo sua área de plantio, e restará a opção de ter que importar do Canadá ou Estados Unidos, onde os preços são muito altos. O pesquisador da Embrapa, Sérgio Roberto Dotto, comenta que o País Brasil, agora, vai pagar caro o descaso com a cultura do trigo nos últimos anos.
O Brasil produz atualmente apenas 25% do seu consumo, e mesmo que os produtores queiram aumentar muito a área nesta safra, não será possível, por falta de sementes. ‘‘Assim como os agricultores, os produtores de sementes também não têm garantias para aumentar sua produção’’, diz Dotto.
Os estoques mundiais do grão estão baixos e não há perspectiva de aumento de áreaEstoquesSegundo a análise conjunta dos pesquisadores Sérgio Dotto e Dionísio Brunetta, os estoques mundiais de trigo estão baixos, em torno de 114 milhões de toneladas, quando o normal seria estar perto de 140 milhões de toneladas. Os estoques da Argentina, principal fornecedor do Brasil, são suficientes até meados de junho. O trigo dos EUA e Europa não chega ao País por menos de R$240,00 a tonelada, enquanto o preço mínimo brasileiro é de R$175,00/t. Depois da mudança cambial no início do ano, a farinha de trigo já teve um aumento de 35%, e quem tem trigo hoje está comercializando a R$230,00/t.
Os pesquisadores comentam todos estes dados, para mostrar aos produtores que este é um bom momento para se investir na cultura do trigo, fazendo um plantio na hora certa, e seguindo as recomendações para colher uma boa safra, ‘‘que deverá ter preços muito bons’’. ‘‘O agricultor paranaense vai colher seu trigo em agosto, uma época em que os estoques mundiais estarão exauridos, e isto abre ótimas perspectivas para quem plantar’’, afirma Brunetta.
RecomendaçõesA intenção de plantio nesta safra será limitada pela disponibilidade de sementes. E os pesquisadores estão orientando os agricultores a aproveitar melhor as sementes. A pesquisa tem constatado que o trigo produz bem com uma quantidade mínima de sementes. A recomendação técnica diz que a semeadura deve ser feita com 60 a 70 sementes por metro linear. Mas, ‘‘o produtor pode usar a menor densidade, sem problemas’’. Isto, segundo Brunetta, daria um aumento de 15% na área, o que significaria 125 mil ha a mais, com a possibilidade de colher 250 mil toneladas, que representariam, aos preços de hoje, um ganho de R$50 milhões.
Brunetta orienta também para que o agricultor regule bem a máquina, observe as recomendações técnicas e, principalmente, plante, aproveitando a umidade do solo. Os pesquisadores destacam que outro fator favorável ao agricultor este ano é o clima. ‘‘Não temos bola de cristal, mas pela análise dos satélites, este ano não teremos o El Ninõ, e o nosso inverno deve voltar à normalidade, mais seco e com temperaturas mais baixas’’, comenta Dotto.
Estas condições climáticas são bastante favoráveis. ‘‘Se os produtores seguirem as épocas indicadas para o plantio, não terão muitos problemas’’, avaliam. No região do Norte Velho, a data é 20 de março, no Norte, o pico é no mês de abril, no Oeste a partir de maio e, no Sul, em junho.
CustosAs culturas de inverno, como o trigo, serão as primeiras a receberem o impacto da alta dos insumos provocada pela mudança cambial. ‘‘Os custos de produção devem variar muito e vão depender das negociações que as cooperativas farão na compra dos insumos’’, comenta Dotto
Para compensar, o produtor terá que colher pelo menos 2.500 kg/ha. Os pesquisadores informam que existem variedades e tecnologias para produzir bem e colher muito mais do que isso.
Dotto orienta também o produtor a maximizar a disponibilidade de água no solo para os plantios no Norte do Estado, onde a falta de chuva é um dos fatores limitantes da produtividade. ‘‘O agricultor deve deixar o solo bem preparado com antecedência, para, quando chover, ele poder plantar imediatamente’’, explica.
Para cada milímetros de chuva, alcança-se um ganho de 15kg/ha em produtividade. A chuva é fundamental até o espigamento, ou seja, até aproximadamente 60 dias de plantio.ArquivoO momento atual é bastante favorável para investir no plantio de trigoCristina Côrtes

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