Medicina milenar chinesa, a acupuntura ajuda na recuperação de doenças e traumas físicos e no combate ao estresse dos animais. Como nos humanos, a estimulação de pontos do corpo ajuda a aliviar a dor, o estresse e aumenta a resistência do organismo às doenças. Entretanto, ainda é pouco utilizada pela medicina veterinária brasileira.
Poucos profissionais e clínicas veterinárias fazem esse tipo de tratamento, introduzido no País há pouco mais de 10 anos, embora a acupuntura humana seja praticada há muito mais tempo e já esteja bem difundida. Na China, a acupuntura é utilizada há 10 mil anos em humanos e há 4 mil anos em animais.
Especialista em cirurgia veterinária, o professor Max Guimenes, da Universidade Paranaense (Unipar) de Umuarama, acredita que a acupuntura veterinária vai deslanchar a partir de agora, com a inclusão da matéria nos currículos das universidades. Este ano, a Unipar criou a disciplina de acupuntura e homeopatia para o quinto ano de Medicina Veterinária. É a terceira universidade brasileira a ensinar a técnica. As outras duas são a Unesp, de Botucatu, São Paulo, e a Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro.
Mesma técnica e mesmo equipamentoCom a introdução da matéria no curso, os animais atendidos no Hospital Veterinário ganharam um tratamento a mais. A égua quarto-de-milha ‘‘Dina’’ foi uma das primeiras a ser submetida ao tratamento da acupuntura. ‘‘Dina’’ fraturou o joelho anterior direito. Para não sacrificar o animal o dono, um criador de Foz do Iguaçu, mandou-a ao Hospital Veterinário de Umuarama, a quase 300 quilômetros de distância, para fazer uma cirurgia. A cirurgia salvou a égua. Com a ajuda da acupuntura, Guimenes tenta agora combater a inflamação no joelho e melhorar a cicatrização, para o animal não ficar manco.
Segundo o professor, a acupuntura veterinária utiliza a mesma técnica e os mesmos equipamentos da acupuntura em humanos. Apenas as agulhas para grandes animais são maiores, com 20 centímetros de comprimento. Outra diferença é o número de pontos estimuláveis no corpo. Enquanto uma pessoa tem mais de 200 pontos, nos animais o número gira entre 115 e 120.
O princípio é o mesmo. Humanos e animais têm pontos de energização que, quando estimulados, provocam a liberação de substâncias, a principal delas a endorfina que alivia a dor.
Tratamento indolorGuimenes ressalta que a acupuntura pode ser utilizada como tratamento auxiliar em quase todos os tipos de doenças. Em alguns casos, o animal melhora sensivelmente em duas semanas de tratamento. Só não surte nenhum efeito quando se trata de doenças terminais degenerativas. O veterinário localiza os pontos com a ajuda de um aparelho eletromagnético e introduz as agulhas nos pontos. No caso de ‘‘Dina’’, são 7 a 8 agulhas mantidas durante 20 minutos em pontos do joelho e do dorso. São feitas de duas a três sessões por semana e o tratamento é indolor.
Professores e alunos usam também outra técnica de estimulação conhecida como mochabustão. Um incenso de artemísia que produz muito calor é aceso e colocado a 2 centímetros de distância dos pontos. O aquecimento faz o mesmo efeito das agulhas. Os futuros veterinários também estudam tratamentos homeopáticos.

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