O pecuarista tem prazo até fevereiro-março, para iniciar formação de novos pastos. As pastagens anuais, de safrinha, milho e aveia, plantados após a colheita da soja, na mesma área e sem nenhum preparo de solo, podem ser semeadas até abril. Mesmo as espécies perenes, embora a época ideal seja no início da estação de chuvas, podem ser semeadas até março.
Alguns produtores acabam fazendo a semeadura do pasto mais tarde, pela necessidade de plantar primeiro as culturas de grãos. É nesta época também que as máquinas e equipamentos agrícolas estão mais disponíveis para isso.
‘‘Mais tarde, em maio por exemplo, o sucesso da formação do pasto já ficaria comprometido pela ocorrência de chuvas. Além disso, a formação não se completa no mesmo ano, só depois das primeiras chuvas da próxima estação’’, avisa o pesquisador do Embrapa Gado de Corte, de Campo Grande (MS), Jairo Mendes Vieira.
ArquivoEm áreas sujeitas a erosão uma opção de cultivo é a coast-cross, desde que bem manejadaTerra bem preparadaO pesquisador recomenda que, no plantio do pasto, o solo já esteja bem preparado, arado, gradeado, nivelado e terraceado contra a erosão (quando necessário). ‘‘Terras que antes receberam culturas, provavelmente já estarão prontas e então é só plantar.’’
Do contrário, avisa Vieira, se houver necessidade de correção com grandes doses de calcário, é preferível que a calagem seja feita antes, pelo menos 60 dias. ‘‘Se a necessidade de calcário não for muito grande, digamos até 1500 quilos por hectare, o calcário poderá ser aplicado poucos dias antes do plantio.’’
O que plantar?A reposta da pesquisa é: ‘‘plantar os capins sabidamente bem adaptados ao local’’. Na faixa tropical os mais comuns são as brachiárias (decumbens, brizantha e humidicola); os panicuns (tânzania e mombaça); o Andropogon; a setária e outras espécies.
Não se aconselha, diz Vieira, apenas um só dos capins recomendados, mas diversificar a propriedade com vários, de acordo com o solo, a topografia, objetivos, grau tecnológico, drenagem do solo, entre outras características. Em solos férteis ou bem corrigidos e adubados pode-se plantar panicuns como a tanzânia ou mombaça.
Em terras mais fracas, com pouca ou nenhuma adubação, recomenda-se plantar capins com baixas exigências, como Brachiária decumbens, humidicola, dictyoneura e andropogon. ‘‘É preciso não esquecer de que, em condições de probeza extrema, nem estes capins se sairão bem’’, avisa Vieira.
Para solos com fertilidade média o pesquisador recomenda o plantio de decumbens e brizantão. Em solos declivosos e sujeitos a erosão, segundo Vieira, devem-se evitar capins formadores de touceiras como o tanzânia, mombaça e andropogon.
‘‘O produtor poderá preferir os capins chamados estoloníferos, bons protetores do solo, como grama-estrela, coast-cross, tifton ou mesmo a decumbens e o brizantão, desde que formados e manejados’’.
Para uso intensivo, com adubações de manutenção anuais mais ou menos pesadas, deve-se preferir capins de elevado potencial produtivo, que respondam aos insumos usados, como tanzânia, mombaça, brizanta, capins elefante e outros.
Depois da safraNo plantio safrinha seguido de colheita da soja ou de outra cultura de verão, pode-se usar milheto e aveia, ‘‘os mais usados e recomendados’’. Em locais com alta incidência de cigarrinhas-das-pastagens deve-se evitar tanto quanto possível as espécies suscetíveis, como decumbens e humidicola, e outras. ‘‘Preferir as dotadas de alguma forma de resistência como a brizantha e andropogon.
As consequências da má escolha do capim vão desde a completa falta de formação, no caso da planta não ser adaptada ao clima, a danos diversos na conservação do solo, baixa persistência e produção, com reflexos na produção animal.
Recuperar áreasPara áreas degradadas existem várias formas de recuperação, das mais simples e baratas às mais complexas e caras. O primeiro passo, no entanto, é fazer um diagnóstico da situação, do grau de degradação, situação do solo, fertilidade e erosão, presença de pragas, produtividade atual, entre outras. ‘‘Essas informações servirão para avaliar que tipo de recuperação se aplica ao caso’’.
Viera acredita que o pastejo rotacional é um bom sistema de uso da pastagem. ‘‘Desde que bem conduzido’’, ressalta, afirmando ainda que a mesma condição vale para o sistema contínuo, ‘‘que também é ótimo. Mal conduzido, especialmente em lotação animal, qualquer sistema leva ao fracasso’’.
Escolher as forrageiras certas e as plantar corretamente é importante, mas é apenas uma parte do problema. ‘‘O manejo da pastagem formada é outra questão de igual ou até maior importância, responsável por boa parte da atual situação de degradação em que se encontram as pastagens do Brasil Central.’’

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