Aguardente e rapadura reforçam renda nas pequenas propriedades
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sexta-feira, 15 de junho de 2007
Raquel de Carvalho<br> Reportagem Local 
O doce da rapadura e do melado e o forte sabor da cachaça mobilizam famílias de agricultores da região de Londrina. A transformação da cana-de-açúcar é uma opção de diversificação e de renda para pequenas propriedades. A produção é comercializada em vendas, bares e supermercados e agrada os consumidores, como atestam os donos de alambiques e engenhos.
A fabricação dos subprodutos da cana-de-açúcar despertou o interesse de Moisés de Paula, morador de Tamarana, que pretende reviver o seu passado adquirindo uma área na zona rural e abandonado a profissão de serralheiro.''Passei a infância no sítio, gosto desta vida e levo jeito'', afirma, ao descrever o início de sua atividade numa chácara de 6 mil metros quadrados. Atualmente, ele fabrica 80 litros de cachaça ao dia, produção que pode aumentar para 300 litros/dia quando instalar o alambique no sítio que está comprando.
Moisés garante a qualidade da ''Cachaça Lá do Sítio'', que vende para o comércio da região. ''Todo mundo elogia, nunca recebi nenhuma reclamação'', diz ele, que não consome bebida alcoólica e depende do controle de qualidade dos consumidores.
Moisés tem planos mais ousados. A fabricação de cachaça é apenas uma das atividades que pretende desenvolver na sua propriedade. Ele quer se dedicar à ovinocultura e produzir a cana para o alambique. ''O bagaço da cana será usado para fazer ração e o esterco dos animais será usado como adubo da plantação'', explica. Além do açúcar mascavo, Moisés quer produzir açúcar cristal artesanal.
Para investir na nova atividade, Moisés utilizou os seus conhecimentos de mecânica. Ele já trabalhou na manutenção de equipamentos de um alambique e quando surgiu a oportunidade, comprou um por R$ 12 mil. Como o processo de compra do sítio não foi finalizado, ele instalou o equipamento na chácara e iniciou a produção.
A fabricação da cachaça ''Sono Leve'', ocupa grande parte da família de Artur Franco da Silva, na propriedade de 12 alqueires, no distrito de Guaravera. O produtor, que cultiva cana-de-açúcar, mandioca, soja e feijão orgânicos - sistema que também pretende implantar nas hortaliças - decidiu se dedicar à produção de cachaça há sete anos. ''É uma forma de aumentar a renda do sítio, pois tenho irmãos, filhos e agora netos, que precisam de uma ocupação'', explica Artur.
O produtor tem outra motivação. A adoção do cultivo orgânico, segundo ele, ''livrou a família do tóxico'' e possibilitou a conquista do selo do Instituto Biodinâmico (IBD), que certifica produtos orgânicos. Para implantar o sistema contou com a assessoria de técnicos do Sebrae e Emater.
Seguindo os conceitos da agricultura orgânica, Artur usa os resíduos da produção da cachaça na propriedade. O bagaço da cana serve como adubo para as hortaliças, que cultiva numa estufa, e ainda fornece aos vizinhos. ''O bagaço é fertilizante e conserva a umidade do solo'', sintetiza.
A cachaça é fabricada com a cana cultivada em um alqueire da propriedade, o que resulta em 10 mil litros por ano. A bebida é vendida em bares e pequenos mercados de Guaravera, Londrina e Apucarana. Atualmente, parte da produção é envasada numa vinícola de Guaravera e o restante Artur entrega para conhecidos em garrafas de refrigerante pet.
Com a certificação do IBD Artur pretende agora implantar um sistema de envase e desenvolver um rótulo para a ''Sono Leve'', o que vai agregar valor ao seu produto. ''Posso conseguir até R$ 35 o litro porque minha cachaça é pura e nobre'', afirma. Nas condições atuais ele vende o produto por R$ 2,50. Com o apoio do Sebrae, Artur vai comprar equipamentos para produzir também rapadura e melado. ''Hoje em dia faço melado só sob encomenda'', diz.


