A microbacia hidrográfica do Rio do Campo foi a primeira do Brasil a desenvolver e executar um projeto de manejo de solos e água. Segundo o engenheiro agrônomo Roberto Carlos Guimarães, da Emater de Campo Mourão, em meados dos anos 60, a microbacia apresentava sérios problemas ambientais entre eles degradação do solo, desmatamento, estradas vicinais e poluição dos mananciais.
No final da década de 70 foram iniciadas ações para reequilibrar a fauna e flora local com a adoção de tecnologias de terraceamento mecânico, adequação de estradas e carreadores, reflorestamento das margens dos rios, implantação de abastecedores comunitários para pulverizadores tratorizados (evitando o abastecimento direto dos rios), substituição do sistema de plantio convencional pelo plantio direto e educação ambiental.
''Controle biológico de pragas, diminuição do uso de agrotóxicos, manejo integrado de pragas e plantas daninhas, monitoramento das lavouras e manejo e conservação do solo completam as ações conservacionistas'', aponta Guimarães.
Segundo ele, o Rio do Campo fornece 80% da água utilizada no abastecimento da população urbana de Campo Mourão. ''Por isso a elevada taxa de ocupação com culturas anuais na zona rural sugere a necessidade de um monitoramento intensivo de agrotóxicos e insumos aplicados nas lavouras'', assinala. Ao todo, o projeto envolve 143 produtores de mais de 7 mil hectares distribuidos ao longo de 84 quilômetros de rio.
De acordo o agrônomo da Emater, o controle da erosão do solo e a recuperação das matas ciliares resultaram na melhoria da qualidade dos mananciais e no funcionamento regular da estação de captação de água do município, mesmo nos períodos de maiores precipitações. ''Além da redução dos custos operacionais de tratamento da água para o consumo humano'', comemora Guimarães. (M.G.)

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