Água é sinônimo de produtividade
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sábado, 23 de janeiro de 2016
Ricardo Maia<br>Reportagem Local 
As bruscas oscilações do clima têm influenciado cada vez mais - e de forma negativa - o agronegócio brasileiro. No Norte do Paraná, por exemplo, produtores experimentaram nas últimas duas safras um tempo totalmente adverso. Na safra 2014/15, a região sofreu com uma forte escassez de chuvas e nesta safra, a preocupação dos agricultores é com o excesso de precipitação, que trouxe muita destruição para as zonas rural e urbana, principalmente as que pertencem à Região Metropolitana de Londrina.
Conseguir um volume adequado de chuvas para as necessidades das plantas nem sempre é possível. Durante o SuperAgro 2016, evento organizado pela Agro100 que terminou ontem, o uso da água foi um dos assuntos mais discutidos, especialmente porque o tema da feira este ano foi: "Terra, planeta água!".
No evento, o uso do pivô central para irrigação foi uma das sugestões apontadas por especialistas, que disseram que essa alternativa pode ser uma saída para retirar do produtor a preocupação em relações às oscilações do clima. O gerente de marketing da Agro100, Rodrigo Tramontina, explica que muitos produtores têm receio quanto ao uso da irrigação em lavouras por achar a sua aplicação inviável devido ao investimento que precisa ser realizado.
Outra preocupação comum entre os agricultores, revela Tramontina, é em relação à outorga da água. Segundo ele, conseguir esse registro não é tão burocrático quanto o produtor pensa. Ele afirma que investir em irrigação por meio de pivô central, por exemplo, além de aliviar a preocupação em caso de estiagem, pode elevar os níveis de produtividade.
"Falar em irrigação em um ano de El Niño pode parecer contraditório, mas precisamos pensar nisso porque há um ano sofremos com uma forte seca", recorda Tramontina. O gerente de marketing da Agro100 salienta que o investimento em um pivô central traz bons rendimentos em produtividade em um curto espaço de tempo.
Além disso, ele explica que com a adoção da irrigação, o produtor não fica preso à janela pluviométrica, que leva em conta os fatores de precipitação. Com isso, o produtor pode se programar para fazer até três safras no ano, cultivando soja, milho, trigo e feijão. O investimento, calcula ele, se paga em torno de três anos. "Sem água, não há como obter um alto índice de produtividade", salienta o gerente da Agro100.
SuperAgro 2016
A edição deste ano do SuperAgro mostrou para os agricultores que é possível fazer uma agricultura com alto índice de produtividade e, ao mesmo tempo, de forma sustentável. O evento demonstrou na prática os benefícios que a irrigação proporciona para as lavouras de grãos.
Em campo foram 13 hectares de área de cultivo para experimentos em uma área total de 163,2 hectares que pertencem à fazenda Cegonha, local onde ocorreu a feira. Segundo Tramontina, o foco da empresa para os próximos anos é transformar a propriedade em uma área de referência em termos de aplicação de novas tecnologias, tendo como base análises e experimentos científicos.


