Para produzir apenas um quilo de grãos, considerando o processo desde o preparo do solo até a chegada do alimento à mesa do consumidor, são necessários mil litros de água. Em países como o Brasil, onde a produção agropecuária é fundamental para a economia, utilizar racionalmente a água disponível não é apenas uma questão de consciência ecológica, mas também de contribuir para a manutenção das divisas geradas pelo agronegócio.
A afirmação é do professor Valmir de França, doutor em ciências ambientais, diretor do Núcleo de Estudos do Meio Ambiente (NEMA) da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e representante da América do Sul e Caribe no Programa Hidrológico Internacional, da Unesco. Para ele, preservar os recursos hídricos não significa apenas garantir água potável para a sobrevivência das próximas gerações. Trata-se também de assegurar a produção de alimentos para a população mundial, que hoje é de seis bilhões de habitantes mas deve atingir o índice de nove bilhões de pessoas em dez anos.
O professor acredita que a pressão mundial por mais alimentos resultará em pressão do mercado internacional sobre o Brasil, que é um grande exportador. ‘‘Para garantir a produção, é fundamental planejar a utilização dos recursos hídricos visando evitar a falta de água’’, disse, lembrando que atualmente 834 milhões de pessoas no mundo passam fome.
Na agriculturaQuarenta por cento da agricultura mundial é irrigada e nessas áreas, a média de desperdício de água é de 60%. Para diminuir esse índice, Valmir orienta produtores rurais a utilizarem irrigação por gotejamento, que fornece água diretamente na raiz da planta.
Ele recomenda outras ações para o agricultor colaborar com a racionalização do uso de recursos hídricos. O sistema de plantio direto, por exemplo, conserva o solo e evita a erosão, diminiuindo o assoreamento dos rios. ‘‘Além disso, aumenta a produtividade’’, acrescentou.
Combater a erosão também diz respeito à preservação das matas ciliares. ‘‘Já vi propriedades completamente destruídas por voçorocas. O agricultor tem que entender que quando agride a natureza o prejuízo pode demorar a vir, mas quando chega, é avassalador’’.
Na exposiçãoNeste ano, a maquete reproduzindo uma propriedade rural construída na Via Rural da 42ª Exposição Agropecuária e Industrial de Londrina enfatiza o uso racional da água. O professor Valmir de França considera que é uma boa oportunidade para esclarecer os agricultores sobre o tema.
Ele lembra também que enquanto consumidores desse recurso, os produtores rurais devem se envolver com os comitês das bacias hidrográficas, que são os responsáveis por traçar as diretrizes sobre o uso da água dos rios nas regiões em que atuam. ‘‘Como produtores de alimentos, eles devem interferir nesse processo’’, afirmou. Uma das atribuições dos comitês é definir como será feita a cobrança pelo uso da água das bacias.
A responsabilidade foi delegada aos comitês após a criação do Sistema Estadual de Recursos Hídricos em 2000, concebido para planejar e controlar as atividades que envolvem os recursos e ecossistemas aquáticos do Estado. Na região de Londrina, o comitê do Rio Tibagi é liderado pelo Consórcio Intermunicipal para a Proteção Ambiental da Bacia do Rio Tibagi (Copati).

mockup