Agropecuária responde por 9% das riquezas produzidas no Paraná
PIB do setor somou R$ 64,7 bilhões em 2024, com um recuo em relação ao ano anterior
PUBLICAÇÃO
sábado, 26 de julho de 2025
PIB do setor somou R$ 64,7 bilhões em 2024, com um recuo em relação ao ano anterior
Lucas Catanho - Especial para a FOLHA 

A agropecuária representou 9% do PIB (Produto Interno Bruto) do Paraná em 2024, segundo o Ipardes (Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social). O valor acumulado pela atividade somou R$ 64,7 bilhões no ano passado. O PIB do Paraná em 2024 ficou em R$ 718,9 bilhões, sendo que o setor de serviços representou a maior fatia, com um valor acumulado ao longo do ano de R$ 394,4 bilhões – quase 55% do total.

Em comparação ao ano anterior, a participação da agropecuária na produção de riquezas em território paranaense sofreu um recuo – em 2023, do PIB total de R$ 665,6 bilhões, o setor foi responsável por uma fatia de R$ 73,6 bi, proporção de 11%.
Ágide Eduardo Meneguette, presidente interino do Sistema Faep, explica que diversos fatores podem explicar o recuo da participação da agropecuária no PIB do Paraná.
“Após uma safra recorde em 2023, o ano de 2024 foi marcado por eventos climáticos adversos, como estiagens e irregularidade da chuva em importantes regiões produtoras, o que impactou diretamente a produtividade das lavouras, principalmente de soja, milho e feijão.”
O dirigente aponta ainda uma queda significativa nos preços de algumas commodities agropecuárias ao longo de 2024. “A saca de soja, por exemplo, recuou 11,6% no comparativo anual entre 2023 e 2024. Os preços do milho e feijão também recuaram. A queda na produção e o recuo nos preços puxaram a receita bruta e o PIB para baixo.”
Meneguette acrescenta que, enquanto o agro enfrentava esses desafios, setores como serviços e indústria apresentaram desempenho positivo, ampliando sua participação relativa no PIB.
“Isso afeta diretamente o peso da agropecuária na composição total da economia estadual. Mas o agro segue como base da economia paranaense, os números refletem apenas a conjuntura do momento.”
TENDÊNCIA
Sobre 2025, o dirigente da Faep destaca que as projeções são positivas e indicam recuperação do agro paranaense. “Temos neste ano uma melhora nas condições climáticas: Até o momento, os prognósticos para o ciclo 2024/25 são mais favoráveis, com expectativa de normalização das chuvas e maior regularidade no plantio e na colheita.”
Ele cita ainda a alta na produção de grãos. Segundo o IBGE, a produção agrícola no Paraná deve crescer 20,5%, o que tende a impactar positivamente o PIB agropecuário.
“Os preços agrícolas, principalmente de grãos, estão próximos aos observados em 2024 ou melhores. O preço da saca de soja está em linha com o ano passado. Já o milho está, em média, 17% acima do observado em 2024.”
A produção de carnes também tem se mantido aquecida, com o estado ampliando as exportações, consolidando-se como um dos maiores fornecedores globais. As exportações de carnes cresceram 8,28% no comparativo do primeiro semestre deste ano com igual período do ano passado, alcançando US$ 2,34 bilhões.
“Diante desse cenário, é provável que o agro paranaense recupere as perdas do período anterior, restabelecendo sua participação no PIB. O resultado do PIB do primeiro trimestre de 2025, publicado pelo Ipardes, já indica essa recuperação – houve alta de 13,08% do PIB da agropecuária no comparativo com o mesmo período de 2024.”
O Paraná possui cerca de 305 mil estabelecimentos agropecuários, conforme dados do Censo Agropecuário 2017 do IBGE.
DESAFIOS
Entre os principais desafios dos produtores, o dirigente aponta o custo de produção com margens apertadas e a instabilidade climática. “Mesmo com boas produtividades em algumas regiões, os custos de insumos (fertilizantes, defensivos, energia e combustível) continuam elevados. Ao mesmo tempo, os preços pagos ao produtor recuaram em diversas cadeias, reduzindo a rentabilidade e exigindo maior eficiência de gestão nas propriedades.”
Sobre o clima, Meneguette aponta a frequência de eventos extremos. “Estiagens, chuvas intensas fora de época e geadas têm aumentado, comprometendo a produtividade e exigindo investimentos crescentes em tecnologia, irrigação, seguro rural e manejo de risco climático.”
Outros desafios elencados pelo dirigente são o acesso ao crédito e ao seguro rural em condições adequadas e a necessidade de modernização da infraestrutura logística, condições que impactam diretamente a competitividade do agro paranaense.
A VIDA NO AGRO

Apesar da queda da participação da agropecuária no PIB do estado, os agricultores paranaenses não escondem a paixão e a vocação pela atividade. No dia 28 de julho é celebrado o Dia do Agricultor. A agricultora Maristela de Fátima da Silva Souza não consegue dissociar a própria vida da produção de café – a cultura começou com os avós e, desde quando ela morava com os pais, já se dedicava à lavoura.
Somente junto ao marido Valdir, a produtora rural se dedica à atividade faz 30 anos. O casal mantém hoje propriedades em dois municípios do Norte Pioneiro - Tomazina e Pinhalão - onde são cultivados 6 hectares de café especial e convencional.
“Nosso maior desafio hoje é o clima, pois sofremos com frequência muita chuva em época de colheita e geadas que atrapalham a produção. Mas temos muitos motivos para comemorar o Dia do Agricultor: a agricultura é nossa principal fonte de renda. Amamos o que fazemos para ter uma vida digna e saudável”, celebra.
FOMENTO
As ações da agropecuária no Estado do Paraná são realizadas pelo Sistema Estadual de Agricultura (Seagri), que envolve a Seab (Secretaria da Agricultura e do Abastecimento), o IDR-PR (Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná), a Adapar (Agência de Defesa Agropecuária do Paraná) e as Centrais de Abastecimento do Paraná (Ceasa).
O governo do Estado lançou um programa de melhoria da infraestrutura rural para auxiliar os produtores, com destinação de R$ 2 bilhões para pavimentação de trechos de estradas rurais.
“Isso deve beneficiar produtores de cadeias relevantes como leite, suíno, frango, além de melhorar condições de vida para quem precisa de atendimento médico, ir a escolas ou para o turismo”, destaca Natalino Avance de Souza, presidente do IDR-PR.
Os servidores do Estado estão confeccionando os Relatórios Técnicos de Vistoria, que servem de base para as prefeituras prepararem os projetos. O governo do Estado também está proporcionando uma grande compra de maquinários.
“Cada prefeitura está recebendo R$ 3,7 milhões, podendo escolher quais equipamentos lhes serão mais necessários visando adequação de estradas rurais, manejo de solo, terraplanagem e infraestrutura de produção.” O investimento total é de cerca de R$ 1,7 bilhão.
ROTA DO PROGRESSO
O Rota do Progresso envolve um pacote de mais de R$ 2,5 bilhões para investimentos para 94 municípios com menor IPDM (Índice Ipardes de Desempenho Municipal), indicador do desempenho dos municípios paranaenses em relação à renda.
Para desenvolver as ações relacionadas à agropecuária, serão entregues R$ 5 milhões a cada um dos municípios. Eles terão a liberdade de escolha sobre o que investir. A Seab tem proposto a ampliação do uso de estufas para a produção de hortícolas e frutas com mais segurança em relação às intempéries climáticas.
O Sistema Estadual de Agricultura está reforçando o programa de irrigação, com uma linha de financiamento no Banco do Agricultor Paranaense com juro zero para agricultura familiar. Já foram financiados ao menos 217 projetos, que somaram R$ 41,8 milhões em financiamento. O Estado equalizou R$ 11,4 milhões em juros.
Outras iniciativas são a ampliação da conectividade rural de qualidade, o Revitis (Programa de Revitalização da Viticultura Paranaense), que foca no incentivo para a produção, reorganização da comercialização, desenvolvimento do turismo e apoio à agroindústria, além do CooperaParaná (Programa de Apoio ao Cooperativismo da Agricultura Familiar), cujo objetivo é fortalecer as cooperativas e associações por meio de ações integradas entre setores público e privado.


