Na pista, animais simental estavam em julgamento, quando foi anunciada a abertura oficial da 39ª Exposição Agropecuária e Industrial de Londrina, sexta-feira da semana passada, dia 9. Animais mugiam na pista; na arquibancada da sede da Sociedade Rural do Paraná, uma faixa preta protestava, aproveitando a presença do ministro da Agricultura, Franciso Turra, do governador Jaime Lerner e de outras autoridades ligadas à agropecuária: ‘‘Produtores rurais de luto.’’
Discursando, Francisco Galli, presidente da Sociedade Rural do Paraná, entidade promotora da Exposição, confirmou que de fato os agropecuaristas estão insatisfeitos, há muito tempo, com a falta de uma política agrícola comprometida com o desenvolvimento do agronegócio a partir do campo: ‘‘Por que o tratamento punitivo, desrespeitoso? Qual o mal que nós fizemos? Por que a falta de sensibilidade dos dirigentes, é defeito produzir?’’
Campo e cidadeGalli apontou a Exposição como a ‘‘ante-sala da agropecuária’’, no que considera um processo de interação da lavoura e da cidade, para mostrar à população urbana os frutos do trabalho no campo. ‘‘Cada animal, cada produto agrícola, significa o trabalho da agropecuária’’, observou. Ele lembrou que desse trabalho resultaram um PIB nacional de 40% e 33 milhões de empregos. Por isso, considerou, o setor ‘‘tem importância vital’’ - ‘‘e aquele que paga a conta tem direito a se manifestar’’. ‘‘Pagar a conta’’ significa ser a ‘‘âncora verde’’ do Plano Real e ter sido o único setor superavitário na balança comercial (importações x exportações) no ano passado.
Apesar de sua importância, criticou Galli, a agropecuária tem sido desmotivada pelos governos. Tanto, que no governo de Itamar Franco o Ministério da Agricultura teve 12 titulares. Além disso, Agricultura sempre pareceu ser tratado como um ‘‘ministério-auxiliar’’ da área econômica. ‘‘É hora do Ministério da Agricultura falar de igual para igual com as autoridades monetárias’’, disse Galli. Ele garantiu apoio da classe produtora a Turra, nas ações a favor da produção, pois, como destacou, neste momento de crise o agronegócio ‘‘é o único caminho para a salvação do País’’.
Galli parecia ter razão, pois logo depois o ministro da Agricultura lembrou comentário de uma autoridade japonesa, que o visitara no Ministério: ‘‘Só tem medo da fome, quem não conhece o Brasil.’’

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