Agropecuária exige mais respeito
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 16 de abril de 1999
Jota Oliveira 
Na pista, animais simental estavam em julgamento, quando foi anunciada a abertura oficial da 39ª Exposição Agropecuária e Industrial de Londrina, sexta-feira da semana passada, dia 9. Animais mugiam na pista; na arquibancada da sede da Sociedade Rural do Paraná, uma faixa preta protestava, aproveitando a presença do ministro da Agricultura, Franciso Turra, do governador Jaime Lerner e de outras autoridades ligadas à agropecuária: Produtores rurais de luto.
Discursando, Francisco Galli, presidente da Sociedade Rural do Paraná, entidade promotora da Exposição, confirmou que de fato os agropecuaristas estão insatisfeitos, há muito tempo, com a falta de uma política agrícola comprometida com o desenvolvimento do agronegócio a partir do campo: Por que o tratamento punitivo, desrespeitoso? Qual o mal que nós fizemos? Por que a falta de sensibilidade dos dirigentes, é defeito produzir?
Campo e cidadeGalli apontou a Exposição como a ante-sala da agropecuária, no que considera um processo de interação da lavoura e da cidade, para mostrar à população urbana os frutos do trabalho no campo. Cada animal, cada produto agrícola, significa o trabalho da agropecuária, observou. Ele lembrou que desse trabalho resultaram um PIB nacional de 40% e 33 milhões de empregos. Por isso, considerou, o setor tem importância vital - e aquele que paga a conta tem direito a se manifestar. Pagar a conta significa ser a âncora verde do Plano Real e ter sido o único setor superavitário na balança comercial (importações x exportações) no ano passado.
Apesar de sua importância, criticou Galli, a agropecuária tem sido desmotivada pelos governos. Tanto, que no governo de Itamar Franco o Ministério da Agricultura teve 12 titulares. Além disso, Agricultura sempre pareceu ser tratado como um ministério-auxiliar da área econômica. É hora do Ministério da Agricultura falar de igual para igual com as autoridades monetárias, disse Galli. Ele garantiu apoio da classe produtora a Turra, nas ações a favor da produção, pois, como destacou, neste momento de crise o agronegócio é o único caminho para a salvação do País.
Galli parecia ter razão, pois logo depois o ministro da Agricultura lembrou comentário de uma autoridade japonesa, que o visitara no Ministério: Só tem medo da fome, quem não conhece o Brasil.


