Mais de 200 agrônomos e técnicos agrícolas devem se reunir nos próximos dias 14 e 15 de setembro, em Londrina, para debater as tecnologias que vão orientar a produção de soja na safra 2005/06. O 3º Seminário Norte Paranaense de Soja é organizado pela Associação dos Engenheiros Agrônomos de Londrina e terá a participação de pesquisadores e professores ligados ao cultivo do grão.
Entre os assuntos que serão discutidos durante o evento, o destaque, segundo o presidente da associação Sérgio Dotto, será a transgenia. Com o aumento da área de cultivo da soja RR, este ano, no Paraná, o setor demanda informações.
Para o pesquisador Dionísio Gazziero, da Embrapa Soja, o setor está bem informado sobre a tecnologia, mas não sobre seu uso prático no campo. Ele acredita que o agricultor ainda está cauteloso quanto ao plantio da soja transgênica, principalmente por não saber se irá receber um preço diferenciado pela produção. ''Além disso, a soja foi liberada, mas o glifosato não'', ressalta.
Segundo Gazziero, o uso da soja geneticamente modificada traz profundas mudanças no manejo de espécies daninhas. ''O uso do glifosato em pós-emergência na cultura da soja transgênica deve estar associado às informações já conhecidas sobre interferência do mato, estádios de desenvolvimento da cultura e de registro e cadastro'', diz.
Ele explica que a utilização do produto poderá ser feita em aplicações únicas ou sequenciais. O estádio de desenvolvimento da planta daninha, a densidade de infestação, a dose, a época de aplicação, entre outros cuidados devem ser dados especialmente às espécies tolerantes a esse herbicida como a trapoeraba, a erva-quente e a erva-de-touro. ''Outras espécies de difícil controle, tais como erva-de-santa-luzia, poaia-branca, agriãozinho, capim-barbicha-de-alemão e corda-de-viola, podem ser selecionadas em função do uso continuado desse produto'', completa o pesquisador da Embrapa Soja Alexandre Brighenti.
Para evitar a seleção de espécies tolerantes e resistentes ao glifosato, ressaltam os pesquisadores, é importante rotacionar as sojas convencional e transgênica e/ou herbicidas de diferentes mecanismos de ação.
Outros dois assuntos importantes na pauta do seminário, de acordo com o diretor técnico da associação, Seisuki Ito, serão o controle da ferrugem asiática e a importância da inoculação da soja na redução dos custos de produção. Ele lembra que os resultados da pesquisa no controle da ferrugem foram apresentados na 27 Reunião de Pesquisa de Soja da Região Central do Brasil, organizada pela Embrapa Soja em Cornélio Procópio no final do mês passado.
Durante o evento, a comissão de fitopatologia divulgou uma tabela com os principais fungicidas indicados nos casos de incidência de ferrugem e oídio. Para a ferrugem, os produtos são classificados de acordo com o nível de eficiência: recebem uma estrela os produtos com índices inferiores a 80%, duas estrelas, os produtos com médias de 80 a 86 % e três estrelas aqueles com mais de 86% de eficiência. A tabela está disponível para consulta na página do Sistema de Alerta da Embrapa Soja (www.cnpso.embrapa.br/alerta).

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