Agronegócio: Um conceito e muitos preconceitos
PUBLICAÇÃO
sábado, 17 de setembro de 2022
Paulo Sendin, 
“Se não conheces os nomes, perde-se também o conhecimento das coisas." (Lineu)
Um dos conceitos econômicos mais injustiçados da atualidade tem sido o do agronegócio. Mesmo profissionais que têm por obrigação o adequado trato com palavras e conceitos muitas vezes usam esse termo de forma inadequada.
É muito comum o uso pseudo-ideológico do termo agronegócio, como se o mesmo fosse aplicável apenas à grande produção agroindustrial.
Essa equalização entre o termo estritamente técnico "agronegócio" com seu indevido uso ideológico, onde se pretende que signifique "as grandes empresas" ou "as multinacionais" ou qualquer coisa de que algum ideólogo rançoso não goste, é totalmente incorreta.
Agronegócio é um conceito definido, na Universidade de Harvard, na década de 50 do século passado (ou seja tem mais de 60 anos) e inclui a produção agropecuária propriamente dita, a fabricação de insumos e equipamentos, o processamento e comercialização de matérias primas agrícolas e alimentos de origem vegetal ou animal, in-natura ou processados e sua aplicação não depende do tamanho do empreendimento. Mesmo um produtor de subsistência, ao levar ao mercado um frango ou algumas espigas de milho verde, está tecnicamente inserido no agronegócio.
Um ecossistema de inovação no agro - a exemplo da Agrovalley Londrina - segue esse princípio de inclusão. Independente do tamanho dos módulos rurais ou do porte das empresas comerciais ou industriais, a inovação e a relação em rede podem - e devem - estar presentes para avanços de produtividade, sustentabilidade e qualidade de vida das pessoas
Seria importante que todos se preocupassem em utilizar o conceito correto de agronegócio, contribuindo assim para a "educação" de seus leitores e ouvintes, evitando que os mesmos fossem enganados com o discurso vazio contra o "agronegócio", como se este fosse um setor criminoso a ser erradicado da sociedade brasileira. Mais importante ainda, que a academia procurasse igualmente transmitir o conceito técnico de agronegócio, de forma a que futuros profissionais não perpetuassem os erros atualmente cometidos.
De fato, ser contra o “agronegócio”, é tão sem sentido quanto ser contra o PIB (Produto Interno Bruto) ou contra o “setor industrial” ou qualquer outro conceito que apenas classifica os fenômenos econômicos.
Paulo Sendin, engenheiro agrônomo, membro da governança AgroValley


