Agronegócio terá resultados recordes apesar do câmbio
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sexta-feira, 08 de junho de 2007
Alexandre Inacio<br> Agência Estado 
Brasília - Os problemas de renda, câmbio e endividamento devem ter um efeito pequeno sobre os resultados estimados para o agronegócio brasileiro em 2007 em termos globais. As projeções da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) indicam que as exportações do setor neste ano alcançarão US$ 55 bilhões e baterão um novo recorde, superando o desempenho de US$ 49 bilhões de 2006.
Com embarques dessa magnitude, a balança comercial do setor também está prevista para ser a maior da história, com um superávit de US$ 47,5 bilhões, 12,3% superior ao desempenho registrado em 2006. ''O setor continuará batendo recordes embora o ritmo de crescimento seja menor'', disse Antônio Donizete Beraldo, assessor técnico do Departamento de Comércio Exterior da CNA.
O resultado positivo para o setor pôde ser observado já nos primeiros meses do ano. No primeiro quadrimestre, a balança comercial do agronegócio registrou saldo recorde de US$ 13,88 bilhões, o que representa um aumento de 23,1% em relação ao ano passado. O aumento mais expressivo ocorreu no segmento de carne bovina, cujas exportações aumentaram 43,3%, totalizando US$ 1,42 bilhão nos quatro primeiros meses. ''Os resultados mostram que o mercado mundial continua fortemente demandante pelas carnes brasileiras'', disse Beraldo.
Outro indicador que projeta um bom ano para o agronegócio do ponto de vista macroeconômico são os dados do PIB do setor, divulgados esta semana pela CNA. No levantamento feito com os dados do primeiro trimestre do ano, o PIB da agropecuária, referente apenas ao que se produz dentro das fazendas, teve crescimento de 1,49% em relação ao mesmo período do ano passado. Em março, o crescimento do PIB apresentou um aumento de 1%, segunda dados da entidade. No caso da agricultura, o PIB cresceu 1,7% no primeiro trimestre, enquanto o PIB da pecuária aumentou 1,22%.
O crescimento do PIB da Agropecuária foi atribuído à safra recorde de grãos registrada pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e pela valorização de praticamente todos os preços das commodities. ''Tivemos uma safra recorde de grãos, uma safra de inverno em recuperação e uma boa safra de cana. A única cultura que vai puxar os preços para baixo é o café, que terá uma safra menor em decorrência da sua bianualidade'', disse Ricardo Cotta Ferreira, superintendente técnico da CNA.
O PIB do agronegócio brasileiro, que envolve os setores de insumos e distribuição, cresceu 0,7% no trimestre, motivado pelo desempenho favorável do mercado externo e pela expansão do mercado interno. Apesar dos indicadores favoráveis e das perspectivas positivas para os preços, a CNA afirma que os elevados custos de produção da atividade agropecuária impedem que o bom desempenho do setor seja traduzido em renda para os produtores. ''O ano de 2007 poderia ser muito melhor para os produtores se o câmbio estivesse em patamar real, a logística fosse mais eficiente e se os custos não tivessem subido tanto para os agricultores'', disse Ferreira.


