O agronegócio é um dos poucos setores que tem registrado crescimento em 2014. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Produto Interno Bruto (PIB) da agropecuária cresceu 1,2% no segundo semestre deste ano, enquanto a indústria registrou queda de 1,4% no período.
Segundo dados da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), a produção agrícola e pecuária representa em torno de 23% do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil, 27% dos empregos e foi responsável no primeiro semestre deste ano por 44% das exportações brasileiras. Mesmo sendo um dos setores mais representativos da economia, o agronegócio ganhou pouco espaço nos debates entre os presidenciáveis nesta eleição. Durante a campanha, eles até apresentaram propostas, mas sem aprofundá-las.
De posse do plano de governo dos três candidatos à frente nas pesquisas eleitorais, Dilma Rousseff (PT), Marina Silva (PSB) e Aécio Neves (PSDB), a FOLHA selecionou as principais propostas dos presidenciáveis voltadas para o agronegócio brasileiro. Dentre os temas apresentados pelos candidatos estão o apoio à agricultura familiar, proteção sobre riscos de catástrofe e investimento em tecnologia de produção.
Líder nas pesquisas, a presidente Dilma Rousseff propõe a manutenção da política de investimentos à produção agropecuária. Para o ciclo 2014/15, a candidata promete R$ 156,1 bilhões para financiar o setor. Desse total, R$ 24,1 bilhões deverão ser destinados para a agricultura familiar. Dentro do plano de governo da petista, também é mensurada a manutenção de alguns programas, a exemplo do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) e do Plano Safra. As propostas da candidata direcionadas para o setor foram encaminhadas pela sua coordenação de campanha e fazem parte de um discurso feito pela presidente durante visita a uma feira agropecuária no Rio Grande do Sul, realizada no dia 2 de setembro.
Marina Silva promete fortalecer nos próximos quatro anos o sistema de apoio à agricultura familiar também por meio desses programas já existentes. No plano de governo apresentado na página da internet da candidata, Marina menciona o fortalecimento da pesquisa agropecuária e também do setor de ciência e tecnologia. Tudo isso, segundo ela, em busca de um sistema mais sustentável para a agricultura. A candidata frisa que é necessário investir em tecnologias de produção que conservem o solo, utilizem a água de forma eficiente e que aumentem os índices de produção sem que haja expansão de área. Uma das entidades beneficiadas, caso Marina seja eleita, deverá ser a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).
A candidata do PSB ainda propõe, em seu plano de governo, melhorar os incentivos ao setor sucroenergético, com fomento à produção de biocombustíveis. Marina promete a intensificação das boas práticas de cultivo no Cerrado, a exemplo do sistema de plantio direto, integração Lavoura, Pecuária e Floresta (iLPF), fixação biológica de nitrogênio e desenvolvimento de variedades tolerantes ao estresse hídrico e temperaturas mais elevadas.
A criação de programa de risco de catástrofe está na pauta do candidato Aécio Neves. Em seu plano de governo, enviado pela coordenação de campanha, ele também promete maior segurança jurídica ao agronegócio brasileiro. Aécio propõe ainda a criação de regras mais claras para o desenvolvimento, uso e multiplicação de diferentes produtos e processos relacionados à biotecnologia. Segundo o candidato do PSDB, a falta de clareza das regras brasileiras ligadas ao setor tem desestimulado o investimento privado, comprometendo o surgimento de novas tecnologias. Também é necessário, como consta no seu plano de governo, repensar o papel da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio). Para ele, as decisões a respeito da biotecnologia devem ser tomadas por especialistas e os processos precisam mais ágeis.
Aécio ainda propõe mais estímulos à agricultura de baixo carbono. Dentro do tema ligado às instituições de pesquisas, promete o resgate dos investimentos em pesquisa pública, integrando, na forma de redes de trabalho, o sistema federal, estadual e privado de pesquisa. O presidenciável também reitera que é importante respeitar os direitos de propriedade sobre a patente, reprimindo o uso indevido de marcas registradas.

Imagem ilustrativa da imagem Agronegócio tem espaço reduzido na pauta dos presidenciáveis
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