Agronegócio só melhorará em 2006
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quarta-feira, 06 de abril de 2005
Mariana Guerin<br>Reportagem Local 
Aumento dos custos de produção, menor faturamento com as exportações e quebra recorde na safra devem comprometer os lucros do agronegócio brasileiro em 2005.
A pecuária também iniciou o ano com o ritmo de perda de renda já constatado em anos anteriores, resultado da combinação de queda do preço pago pelo boi e alta dos custos de produção. De acordo com estudo da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da Universidade de São Paulo (Cepea-USP), os custos subiram 10,10% no último ano, enquanto o preço pago pelo gado caiu 0,03%.
O consultor Fabiano Tito Rosa aponta o aumento da oferta de boi e o recuo do Produto Interno Bruto (PIB) Agropecuário como fatores determinantes para a crise do setor. Apesar do PIB do agronegócio ter sido positivo, não houve transferência de renda das indústrias para o campo, que acabou absorvendo todos os impactos negativos do mercado em 2004, diz.
Para manter-se capitalizado, o criador de gado está sendo obrigado a vender matrizes e, ao abater fêmeas, o segmento compromete a capacidade de expansão e de reposição do rebanho no futuro. Segundo o presidente da Associação Brasileira de Criadores, Luís Alberto Moreira Ferreira, a falta de entendimento entre produtores e frigoríficos sobre repasse da pressão de custos compromete ainda mais a atividade. Ele ressalta que, em 2004, 35% do total de abates envolveu fêmeas. Este ano a proporção está acima de 50%, calcula.
O pecuarista paulista Dante Emílio Ramenzoni sugere a valorização, mesmo que baixa, da arroba do boi como a maneira mais lógica de desafogar a base produtiva. É preciso pensar como cadeia produtiva. O pecuarista é um elo fundamental, mas não está merecendo a atenção devida. O aumento do preço da arroba do boi gordo é fundamental para cobrir os custos de produção e até para atender à expectativa de crescimento de demanda para este ano, estimada em 400 mil bois a mais, segundo o Cepea-USP, defende Ramenzoni.
Segundo ele, investir em genética de qualidade é outra alternativa para conter gastos. Investimentos em tecnologia garantem aumento na produtividade do rebanho e diminuição nos custos totais de produção. O retorno é mais rápido e agrega-se maior valor ao produto final, assinala o criador.
Para Tito Rosa, a mobilização da cadeia produtiva aliada à manutenção das exportações e à recuperação da economia interna deverá resultar em melhores preços para 2006. O produtor precisa controlar os custos e investir naquilo que entende, preconiza.


