Agronegócio Responsável
Redução do espaçamento na cultura da soja
O arranjo espacial de plantas de soja é definido pela densidade de semeadura (plantas por hectare), pelo espaçamento entre as fileiras e pela uniformidade de distribuição de plantas dentro das fileiras. O arranjo pode alterar o crescimento da cultura, a incidência de estresses bióticos (plantas daninhas, insetos-praga e doenças) e abióticos (déficit hídrico, por exemplo), a qualidade das pulverizações, o acamamento e, consequentemente, a produtividade e qualidade dos grãos. No Brasil, nas décadas de 1980 e 1990 foram conduzidos vários trabalhos com diferentes espaçamentos entre fileiras em soja. Após o ano 2000, poucas pesquisas foram conduzidas sobre esse assunto.
Atualmente, pesquisas com espaçamentos em soja são justificadas por quatro motivos: 1) mudança nas características morfofisiológicas das cultivares de soja e das práticas de manejo; 2) aumento da expectativa de produtividade de grãos; 3) semeadura antecipada da soja para reduzir a incidência de doenças e pragas no final do ciclo ou para semear o milho safrinha em sucessão à soja, o mais cedo possível; e 4) Aumento do custo com sementes.
É importante considerar que o ajuste do espaçamento, fundamentado nas cultivares utilizadas e no ambiente de produção, pode conferir ganhos expressivos de produtividade, sem grandes alterações nos custos de produção e nos impactos ambientais decorrentes do cultivo da soja.
Trabalhos de pesquisa conduzidos nos últimos quatro anos, em várias regiões produtoras de soja no Brasil, têm apontado que para a maioria das cultivares e ambientes de produção, a redução do espaçamento de 0,45 a 0,50 m para 0,25 a 0,30 m não tem proporcionado vantagens agronômicas que justificassem a alteração no maquinário. Por outro lado, em situações específicas em que as cultivares apresentam arquitetura de plantas compacta, praticamente sem ramificação e reduzido ciclo de desenvolvimento, a redução do espaçamento tem proporcionado ganhos de produtividades - em geral, de 5 a 10%.
É importante salientar que há maior dificuldade de manejo de algumas doenças e insetos-praga, com a redução do espaçamento. Isso ocorre em razão do fechamento rápido das entrelinhas e da menor penetração da radiação solar e dos agrotóxicos em lavouras com espaçamento reduzido. Além disso, a redução do espaçamento na soja impossibilita o uso da mesma semeadora para o plantio do milho sem que haja necessidade de reposicionamento das linhas.
Alvadi Antônio Balbinot Jr, pesquisador da Embrapa Soja





