Agronegócio Responsável
Está quente, mas pode piorar
O fenômeno conhecido como efeito estufa é resultado do aquecimento anormal da superfície terrestre pela radiação solar, em que parte do calor é devolvido ao espaço, onde encontra barreira de gases como o Dióxido de Carbono (CO2), que obstrui a passagem desse calor, o qual fica retido na atmosfera e a aquece como se ela fosse uma imensa estufa.
O CO2 provém, principalmente, da queima de combustíveis fósseis, cuja origem é a matéria orgânica de plantas e animais soterrados por cataclismos naturais há milhões de anos e hoje são explorados pela moderna sociedade como petróleo, carvão mineral ou gás natural.
Segundo registros do Serviço Climático Copernicus da União Europeia, o ano de 2015 foi o mais quente desde 1880, quando a temperatura da superfície terrestre começou a ser avaliada. Recentemente, fomos informados de que 2016 foi mais quente do que 2015, indicando que 2017 poderá ser mais quente ainda, se nada for feito para evitar o colapso do Planeta.
Muitos cidadãos, mundo afora, não acreditam que o aquecimento global seja coisa séria, incluindo o novo presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump. Na Conferência da ONU sobre o clima, realizada em Paris em 2015, mais de 200 países Brasil no meio assinaram o compromisso de reduzir a emissão dos gases responsáveis pelo efeito estufa, interrompendo, assim, sua trajetória ascendente.
O Brasil concentrou seus esforços no Plano ABC (agricultura de baixo carbono) para reduzir sua cota-parte de emissões de GEE, prometendo, para tanto, recuperar 15,0 milhões de hectares (Mha) de pastagens degradadas; aumentar em 8,0 Mha a área com plantio direto; acrescentar 4,0 Mha à área com integração lavoura-pecuária-floresta; aumentar o reflorestamento em 3,0 Mha; incrementar o uso da inoculação com bactérias fixadoras de nitrogênio em 5,5 Mha; e ampliar o tratamento de dejetos animais em 3,4 milhões de m³.
O agronegócio, que já vinha carregando o Brasil nas costas (23% do PIB em 2016), agora também assume a "parte do leão" na redução dos GEE do conjunto da economia brasileira, compromisso assumido pelo nosso país perante a ONU. Tudo bem, além de top, o agro pode tudo.
São muitos os gases que promovem o efeito estufa na atmosfera (CO, CO2, NO, NO2, CH4, CFC, SO2...), mas, dado o volume de gás carbônico (CO2) que é jogado diariamente na atmosfera (20 milhões de toneladas), em comparação com outros gases, ele se constitui no principal, embora seu poder poluidor seja o menor entre todos os gases. Por exemplo, 1 kg de metano (CH4) - outro gás muito presente na atmosfera - produz 23 vezes mais aquecimento atmosférico do que 1 kg de CO2, razão pela qual é desejável queimar o gás CH4 que emana de aterros sanitários ou refinarias de petróleo, transformando-o em CO2, 23 vezes menos tóxico ao ambiente. Há gases, inclusive, que têm poder estufa 21.000 vezes maior que o CO2, mas estão presentes na atmosfera em quantidades muito pequenas.
Os maiores responsáveis pela sujeira cósmica atual são os países desenvolvidos, que devem boa parte do seu atual desenvolvimento à queima de petróleo, carvão mineral e gás natural no passado. A China, por conta do seu recente e rápido desenvolvimento, entrou no indesejado clube dos grandes poluidores atmosféricos, assumindo, inclusive, a liderança global, historicamente em poder dos EUA.
O aquecimento anormal da atmosfera iniciou-se com o advento da era industrial (1750), a partir de quando a temperatura da atmosfera do Planeta subiu 1,3ºC como resultado da queima indiscriminada de combustíveis fósseis. As milhões de toneladas de CO2 que a moderna sociedade lança diariamente na atmosfera supera o volume que as sociedades da era pré-industrial lançaram no espaço cósmico durante milhares de anos.
Os signatários do acordo internacional sobre o clima celebrado na Conferência de Paris em 2015 juram que o aumento de 1,3° da temperatura atmosférica da Terra verificado pós-era industrial, não deverá ultrapassar os 2°C nas décadas vindouras, prometendo ensejar esforços para que ele não ultrapasse o índice de 1,5°C.
Que assim seja. O custo da despoluição ambiental será estratosférico e a conta deveria ser bancada por quem cresceu à custa do ambiente.
Amélio DallAgnol, pesquisador da Embrapa Soja





