A fusão de empresas, com o propósito de reduzir custos e ganhar economia de escala, não é nova. Essas corporações não são propriedade de um ou poucos milionários. São muitos os donos. Se a estratégia de unir empresas é para ganhar musculatura empresarial e reduzir o custo dos produtos que compramos nos mercados por elas controlados, beneficiando a toda a população, que as fusões sejam bem vindas. O que não se deseja é que essas incorporações conduzam a formação de oligopólios, os quais poderiam determinar o custo e as características dos produtos comercializados, produzindo resultados financeiros para poucos, em detrimento da população em geral, agora privada dos serviços que eram prestados pelas empresas absorvidas.
Assim como o comércio da energia fóssil é controlado pelo que se convencionou chamar de as "sete irmãs" (Exxon e Shell, entre outras), o comércio de alimentos e seus insumos de produção também é controlado por poucas empresas. Dez multinacionais controlam 95% dos pesticidas (Syngenta, Bayer, Basf, Dow Agroscience, Monsanto, entre outras), o mesmo ocorrendo com os fertilizantes, onde dez corporações controlam quase 50% do comércio global (Bunge , Yara, Agrium Inc, Mosaic, Potash, entre outras).
Com o advento dos transgênicos e o elevado custo de exploração do seu potencial, via técnicas de engenharia genética, multinacionais de agroquímicos redirecionaram seus esforços para o domínio da expressão genética das plantas, em detrimento da busca por novas moléculas de pesticidas. Três delas já dominam 53% do mercado global de sementes (Monsanto, Dupont e Syngenta). Começaram incorporando empresas privadas de pequeno e médio porte de melhoramento genético vegetal e posteriormente, investiram bilhões de dólares na obtenção de novos produtos geneticamente modificados.
Com o comércio mundial de grãos acontece a mesma coisa. Quatro corporações gigantes dominam esse mercado, deixando pouco espaço para transações diretas entre pequenos e médios fornecedores e compradores. Conhecidas pelo acrônimo de ABCD (iniciais para ADM, Bunge, Cargill e Dreifuss), essas multinacionais controlam a compra e a venda dos grãos produzidos mundo afora porque também controlam a logística de armazenagem e de transporte. Empresas menores têm dificuldade para participar, dada a falta de infraestrutura em silos e armazéns nos terminais marítimos de origem e destino dos grãos e de navios graneleiros de grande porte para transportar o produto.
Buscando alterar essa rotina de compra, armazenagem, transporte e venda dos grãos pelo mundo, em outubro de 2013, o Banco HSBC reuniu em Pequim empresários do mercado de grãos de Brasil e China, buscado um espaço para transações diretas entre eles, tendo o banco como facilitador dessas transações. Da região de Londrina fizeram-se presentes diretores da Bela Agrícola e Seara.
Embora a iniciativa seja louvável, dado o potencial de acrescentar competição ao mercado, nenhum negócio foi realizado, dadas a dificuldades logísticas. Uma alternativa difícil, mas talvez possível, para viabilizar esse comércio entre fornecedores brasileiros e compradores chineses seja formar uma joint venture multinacional e investir em armazéns nas regiões produtoras, em terminais graneleiros nos portos e em navios de grande porte no mar.

Amélio Dall’Agnol é pesquisador da Embrapa Soja

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