AGRONEGÓCIO RESPONSÁVEL
Boa parte das melhorias que o povo brasileiro usufrui atualmente é produto do incremento significativo da produtividade no campo. No transcorrer de pouco mais de duas décadas, a produção de grãos no Brasil foi multiplicada em mais de três vezes (58 milhões de toneladas, em 1990 para mais de 193 milhões de toneladas, em 2013/14), razão pela qual nossa comida ficou mais barata, além de permitir a exportação de vultosos excedentes, o que contribuiu para a redução da fome aqui, assim como no resto do mundo e gerou riqueza e empregos para o nosso país.
Adicionalmente, os expressivos aumentos de produtividade proporcionaram mais renda ao homem do campo, melhorando o seu nível de vida e estimulando-o a permanecer no cultivo da terra, que é o que ele sabe e gosta de fazer, evitando a migração para a cidade, onde ele não é solução, mas problema, dada a sua baixa qualificação para as atividades urbanas.
O milho, juntamente com a soja, responde por mais de 80% da produção brasileira de grãos, os quais constituem a principal matéria-prima para a produção de carne (bovina, suína e de aves), produto sobre o qual o Brasil exerce a liderança global nas exportações.
O leitor sabe que o milho é uma cultura que tradicionalmente se planta na primavera e se colhe no outono. Mas, em boa parte do Brasil, o milho também é semeado no verão e colhido em pleno inverno, com riscos de perdas com as geadas tardias nos estados mais frios do Sul e por falta de chuvas no outono, na região de Cerrado. Mesmo consciente desses riscos, o produtor tem relevado o problema e o milho safrinha segue ganhando espaços significativos no Brasil, já superando em mais de 10 milhões de toneladas o milho safra (34,8 milhões t o safra contra 46,1 milhões t o safrinha).
A área total cultivada com milho no Brasil não cresceu significativamente nas duas últimas décadas: 13.452.000 ha em 1991 para 15.797.000 ha, em 2013/14 (+17,4%), mas sua produção no período deu um salto de 236% (24.096.000 t para 80.936.000 t), resultado do incremento de 186% na produtividade (1.791 kg/ha para 5.123 kg/ha).
A transformação na cultura do milho no Brasil ao longo de pouco mais de duas décadas (1991/2013) é digna de espanto, seja pelo crescimento superior a 1.000% na área cultivada com o milho safrinha (800 mil ha para 8,986 milhões ha), seja pelo incremento da produtividade de ambas as safras, que nesse período passou de 1.821 kg/ha para 5.109 kg/ha no milho safra e 1.320 kg/ha para 5.133 kg/ha no milho safrinha. Incrementos na produtividade da ordem de 181% e 289%, respectivamente.
O produtor, claramente optou pela substituição de boa parte da área que tradicionalmente cultivava com o milho safra por soja e, em contrapartida, incrementou significativamente o cultivo do milho safrinha em sucessão à soja. Considerando que as produtividades médias de ambas as safras de milho se equivalem, intui-se que os ganhos do produtor são maiores utilizando este sistema produtivo, o que explica a redução em 46% da área cultivada com o milho safra (12,652 milhões para 6,813 milhões ha), em contraste com o incremento superior a 1.000% da safrinha.
Amélio DallAgnol é pesquisador da Embrapa





