A importância do agronegócio para o Brasil
Certamente que muitos países subdesenvolvidos, ou em desenvolvimento, têm no âmbito das atividades agrícolas um percentual do seu PIB maior que o do Brasil (20%), mas considerando o tamanho do PIB brasileiro de quase US$ 2,5 trilhões, o valor bruto da produção agrícola brasileira (VBP) é mais impressionante. E mais impressionante do que o VBP (superior a US$ 375 bilhões, em 2012 e sinalizando para mais de US$ 412 bilhões, em 2013), é o superávit da balança comercial do agronegócio, muito superior à balança comercial do próprio Brasil.

Nos doze últimos meses, o agronegócio gerou um superávit de quase US$ 85 bilhões, enquanto que os demais setores da economia brasileira deixaram um déficit quase do mesmo tamanho (US$ 79 bilhões), sinalizando que depois de muitos anos de superávit na balança comercial, o Brasil poderá amargar um déficit na sua balança de pagamentos, em 2013.

Faz anos que o superávit do agronegócio é superior ao superávit do país, mas isto se tem acentuado nos últimos anos. Exemplificando: no período 2001 a 2012, o agronegócio gerou um superávit de quase US$ 600 bilhões, enquanto que os demais setores da economia geraram um déficit superior a US$ 200 bilhões. E, à medida que o superávit do agronegócio cresce (US$ 63, 77 e 79 bilhões, respectivamente, em 2010, 2011 e 2012) numa velocidade ainda maior cresce o déficit dos demais setores da economia (déficit de US$ 12, 47 e 60 bilhões, respectivamente, no mesmo período).

O impressionante crescimento do agronegócio brasileiro começou nos anos 70, quando o Brasil ainda figurava como importador de alimentos. Recebeu novo impulso a partir da década de 1990 e aumenta de importância a cada novo ano, sinalizando que será o maior fornecedor global de comida dentro de uma década ou talvez menos.

E quem foi o grande protagonista dessa transformação do Brasil Jeca Tatu para o Brasil do agronegócio? O instrumento certamente foi a tecnologia gerada e posta à disposição dos produtores, em cujo processo merecem destaque os programas de TV voltados para o campo, como o pioneiro Globo Rural. Sem esse apoio, dificilmente as inovações tecnológicas teriam alcançado o produtor isolado nos mais remotos rincões deste imenso país. Mas o mérito maior, certamente recai sobre o empreendedorismo e dinamismo do produtor rural que o Brasil se orgulha de ter. Esse agricultor merece respeito e poderia constituir um produto de exportação, se isso fosse negociável.

Há poucos dias alguém me perguntou se a África, com seu imenso potencial de terras disponíveis e com características semelhantes ao nosso Cerrado (vide Moçambique) poderia representar uma ameaça às nossas futuras exportações, principalmente para a Ásia, muito mais próxima da África do que o Brasil. Eu disse que não, a menos que levem os nossos produtores para realizar o serviço.
As nossas exportações, infelizmente, ainda se concentram em commodities, principalmente soja, carnes, açúcar, café e, mais recentemente, milho.

Amélio Dall’Agnol é engenheiro agrônomo

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