Muito se tem comentado sobre a necessidade de o agricultor utilizar-se de modernas técnicas de produção para continuar ativo num mercado cada vez mais competitivo. O mercado, todos sabem, descarta os ineficientes e é insensível ao seu fracasso. No âmbito agrícola, ele não tem, e nem nunca terá, piedade daqueles agricultores que não conseguem produtividade e rentabilidade suficientes para desfrutar de uma sobrevivência digna no campo.
Mas há agricultores que sobrevivem e prosperam na atividade agrícola, como resultado do uso intensivo e eficiente da tecnologia. Não fosse assim, certamente já teriam abandonado o campo, como o fizeram muitos dos seus antigos parceiros de roça. Contudo, mesmo para o sobrevivente, já não basta ser eficiente no processo produtivo, dentro da porteira. Ele precisa ser eficiente também na utilização das modernas ferramentas de gestão do negócio agrícola, pois o lucro maior da safra poderá vir, não da produção, mas das estratégias de aquisição dos insumos e comercialização da safra.
Ao produtor, o que mais importa não é o quanto ele produz, mas o quanto ele lucra. Produzir bem é parte do sucesso, mas dependendo das condições do mercado, poderá ser mais rentável optar por uma produção menor, investindo menos em insumos, do que obter alta produtividade, mas com altos custos de produção e menor lucro.
Além de produzir bem, o agricultor moderno precisa entender como funcionam os mecanismos que regem o mercado e aproveitar-se deles para comprar melhor os insumos, máquinas e equipamentos, assim como, para vender com mais vantagens a produção. Neste momento de vacas gordas, com os preços da soja, do milho e do trigo bombando no mercado doméstico e mundial, tudo é alegria. Mas cuidado, porque tudo o que sobe, um dia desce. É fundamental, para uma maior rentabilidade do campo, que o produtor esteja alerta sobre fatos que indicam o momento mais adequado de comercializar a produção e a forma mais vantajosa para adquirir as máquinas e os insumos de produção.
Por exemplo, na comercialização da safra, seria mais conveniente vender escalonadamente ao longo de todo o ano, ou vender tudo antes do plantio - aproveitando um momento excepcional de alta - ou esperar a colheita para só depois comercializá-la, aproveitando momentos de euforia do mercado? Saber identificar essas instâncias não é tarefa para amadores, mas é possível errar menos quando se está bem antenado.
Quanto aos insumos, o melhor é comprar antecipadamente e pagar à vista. Assim, o produtor lucrará com os descontos que o mercado concede, além de deixar o produtor livre para comercializar a própria safra, quando e para quem quiser. Mas, para isto, o produtor precisará capitalizar-se. Caso contrário, restará a ele trocar o grão que colherá pelos insumos que utilizará para produzi-lo ou financiar os insumos.
Na hipótese de escambo do grão pelo insumo, o produtor pagará pelos insumos o preço que o fornecedor quiser, além de ficar seu refém na comercialização do produto que será colhido. Na hipótese de optar pelo financiamento, ele arcará com as pesadas taxas da instituição financeira.
Boa sorte produtor, a escolha é sua. A próxima safra está a caminho.
Amélio Dall'Agnol é engenheiro agrônomo

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