É por demais conhecido o velho ditado: "pai rico, filho nobre, neto pobre". Muitos de nós, apesar da sábia afirmação desta mensagem, ainda não paramos para refletir sobre o seu real significado. O pai rico foi aquele que deu duro e construiu a fortuna da família; o filho nobre se limitou a usufruir da fortuna que o pai ganhou e não deixou nada para o seu filho, que voltou à condição de pobre.
Quando fortunas familiares evaporam, muito provavelmente a tendência natural da sociedade seja culpar apenas o "filho nobre", quem sumiu com o dinheiro que o pai ganhou, gastando irresponsável e perdulariamente. Mas o pai rico não tem nenhuma responsabilidade pelo acontecido? Não seria o filho perdulário resultado de um pai empreendedor, mas prepotente, incapaz de ensinar ao filho o que ele sabia? Talvez, até menosprezou as eventuais "ideias malucas do moleque" que, como consequência, elegeu a vida fácil das festas, ao desprezo do pai ausente.
O sucesso, é bom frisar, não é um bem permanente. O que pode ser permanente é o fracasso. Mesmo um pai rico pode fracassar após o êxito inicial de uma iniciativa bem sucedida, caso não busque adaptar-se às mudanças que acontecem continuamente no mundo que o cerca. "Não é o mais forte quem sobrevive e nem é o mais inteligente, mas aquele que melhor se adaptar às mudanças", escreveu Charles Darwin, em seu tratado sobre a evolução das espécies.
Os jovens são mais receptivos às mudanças do que os adultos e se adaptam mais facilmente aos novos cenários. São menos avessos ao risco e aceitam com mais naturalidade uma eventual frustração de uma iniciativa mal sucedida. Nessa eventualidade, eles têm toda uma vida pela frente para recompor-se. "O futuro não é o que a gente teme, é o que a gente ousa", dizia Carlos Lacerda, ex-governador do Rio.
Neste espaço, vamos ater-nos apenas a comentar os desafios da sucessão familiar no campo, onde está cada vez mais difícil reter os jovens que, em sua grande maioria, preferem migrar para áreas urbanas onde há mais lazer, além de mais prestígio. Mas há jovens que gostariam, apesar do sacrifício, de continuar a saga familiar no campo, desde que apoiados pela família na implementação de novas iniciativas. Apesar dessa disposição, nem sempre eles conseguem romper a resistência dos membros mais velhos da família, os quais temem um eventual fracasso das inovações propostas pelo jovem, preferindo continuar na segurança do status quo, ao provável êxito de uma mudança arriscada.
É frustrante constatar que fortunas familiares construídas durante décadas de renúncias e sacrifícios dos seus protagonistas se perdem por causa da visão obtusa de adultos conservadores, que não aceitam realizar as mudanças que se fazem necessárias para manter as conquistas do passado. O campo precisa de inovação, força que não brota da cabeça de idosos refratários a mudanças, mas de jovens empreendedores e revolucionários.

Amélio Dall’Agnol é pesquisador da Embrapa Soja

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