Em 10 de novembro de 2015, a FAO/ONU lançou 2016 como o Ano das Leguminosas, com o tema: "Sementes Nutritivas para um Futuro Sustentável". A iniciativa quer promover a produção e o consumo dos grãos proteicos produzidos por essas plantas, importantes para a segurança alimentar de populações de países em desenvolvimento onde a proteína animal é pouco acessível pelo alto preço.
As leguminosas fazem parte da história das civilizações. O feijão e o milho foram a base da alimentação primitiva dos incas, astecas e maias. A lentilha é considerada a mais antiga leguminosa consumida no Mediterrâneo e a soja é alimento base antigo dos povos do oriente asiático.
Uma característica típica dessa plantas é seu fruto tipo legume, conhecido como vagem, onde se desenvolvem grãos com elevado teor de proteínas e fibras. Combinadas aos cereais integrais, as leguminosas formam um prato completo, pois contêm todos os aminoácidos necessários para o correto funcionamento do corpo.
Podemos, também, encontrar nas leguminosas - principalmente na soja - as isoflavonas, substância antioxidante que podem reduzir os níveis de colesterol, diminuir o risco de doenças cardiovasculares e equilibrar o hormônio feminino estrógeno, minimizando os sintomas da menopausa.
A soja é a principal leguminosa do mundo, pelo seu elevado teor em proteína (cerca de 40%) e pela quantidade de grãos produzidos globalmente (320 milhões de toneladas, em 2015). Mas, diferente das demais leguminosas, a soja é pouco consumida diretamente pelos humanos, principalmente os ocidentais, servindo como o principal ingrediente proteico na formulação de rações para alimentação de animais domésticos, que convertem a proteína vegetal da soja, em proteína animal.
A família das leguminosas é a terceira maior da botânica, compreendendo 727 gêneros e 19.325 espécies, ocorrentes em quase todas as regiões do planeta, excetuando-se os polos e algumas ilhas. No Brasil, são cerca de 220 gêneros e 2.736 espécies, mas apenas 12 espécies constituem-se em culturas importantes, com destaque para soja, feijão, lentilha, ervilha, grão de bico e amendoim. Inclui, também, forrageiras como a alfafa e o trevo ou árvores como o pau-brasil, o jequitibá e o pau ferro. A família das leguminosas é considerada a de maior riqueza em espécies arbóreas nas florestas neotropicais.
As plantas dessa família são as mais usadas na arborização urbana, com destaque para flamboyant, pata-de-vaca e tipuana. Também são importantes na indústria madeireira, com jacarandá, jatobá, angelim, sucupira e cerejeira.
Apesar das múltiplas utilidades, é na riqueza em proteínas que reside o grande valor das leguminosas, cujo nitrogênio necessário para sua produção é capturado diretamente do ar pela simbiose das raízes com bactérias do gênero Rhizobium e semelhantes, uma característica ecológica de extrema importância, pois dispensa o uso de nitrogênio mineral, que é caro e polui o ambiente.

Amélio Dall’Agnol é pesquisador da Embrapa Soja

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