AGRONEGÓCIO RESPONSÁVEL - A balança comercial brasileira e o agronegócio
O Brasil nunca teve destaque no comércio internacional. Pelo seu tamanho e potencial, deveria ter mais protagonismo no fluxo de mercadorias que transitam entre as nações, seja exportando ou importando mais. Porém, sua participação nas transações comerciais globais é pequena, tendo oscilado entre 1,08%, em 2004, e 1,43%, em 2011. Em 2014, segundo dados do Ministério da Indústria e Comércio (MDIC), o Brasil contribuiu com US$ 225 bilhões, sobre um total mundial em transações comerciais superior a US$ 17 trilhões.
Segundo o MDIC, nossas exportações, além de poucas, se concentram em produtos de baixa tecnologia (commodities agrícolas e minério de ferro) e, portanto, com baixo valor agregado. Os produtos agrícolas são a base das exportações de nações menos desenvolvidas, como o Brasil. Cerca de 23% do PIB brasileiro de 2014 veio do agronegócio e quase 40% das nossas exportações tiveram a mesma origem, com destaque para a soja, as carnes e o açúcar. A partir da última década, o milho assumiu importância, chegando a liderar as exportações mundiais do produto, em 2011, como resultado da estiagem nos EUA e da impressionante alta na produção do milho safrinha, já superando a produção do milho safra.
Apesar do pequeno montante das exportações, a balança comercial brasileira tem-se mantido superavitária nas últimas décadas, graças ao agronegócio. No acumulado de 2001 a 2014, as exportações do agronegócio superaram as importações deste setor em US$ 678,2 bilhões. No mesmo período, o deficit dos demais setores da economia nacional foi de US$ 360,7 bilhões, resultando num superavit comercial para o País, no período, de apenas US$ 317,5 bilhões, proporcionado integralmente pelos saldos do agronegócio.
Mas, após décadas, em 2014 o saldo da balança comercial brasileira foi negativo em US$ 3,96 bilhões e promete repetir-se em 2015, apesar do esperado superavit agrícola de cerca de US$ 80 bilhões, mas insuficiente para cobrir o rombo nos demais segmentos do setor produtivo. No acumulado de janeiro a março de 2015, a balança já apresenta um deficit de US$ 5,56 bilhões.
As causas pelo reduzido protagonismo do Brasil nas transações comerciais internacionais são muitas e as soluções não são simples. Algumas dependem de nós, outras não. Dentre as causas que independem do esforço do Brasil, pode-se salientar as barreiras tarifárias e não tarifárias que dificultam ou impedem nossos produtos de alcançar mercados protegidos. Dentre os gargalos solucionáveis por ações do governo brasileiro, pode-se citar o custo Brasil, a baixa eficiência da nossa mão de obra, o excesso de burocracia, a falta de uma política industrial, a falta de foco na agregação de valor, a falta de agressividade nas negociações internacionais e a infraestrutura deficiente.
No âmbito agrícola, os órgãos de pesquisa e de assistência técnica vêm fazendo a sua parte, disponibilizando ao setor produtivo ferramentas tecnológicas capazes de incrementar a produtividade do campo e, consequentemente, os ganhos do produtor, tornando-o mais competitivo.
Amélio DallAgnol é pesquisador da Embrapa Soja





