Assustados com o aumento do frete, representantes do agronegócio estão negociando mudanças na Lei 12.619 com deputados federais. A lei estabelece que os caminhoneiros empregados têm os mesmos direitos que os demais trabalhadores, ou seja: jornada diária de 8 horas, e semanal, de 40 horas. Diz também que os caminhoneiros, sejam empregados ou autônomos, precisam descansar meia hora a cada quatro horas ao volante e 11 horas entre dois dias de trabalho.
Segundo o coordenador do Movimento Pró-Logística da Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso (Aprosoja-MT), Edeon Vaz, o Brasil ainda não está preparado para a lei que está impactando no rendimento da classe. Ele não quis adiantar o que está sendo discutido com a bancada ruralista. "Queremos uma solução para breve", afirma.
Segundo o presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Carga do Paraná (Sectepar), Gilberto Cantú, é preciso manter a lei, não só em benefício dos caminhoneiros, mas de todos os usuários de rodovias no País. "Se os motoristas profissionais estiverem descansados, todo mundo ganha em termos de segurança", afirma. Apesar disso, ele diz que o sindicato defende algumas mudanças, como a redução do tempo de intervalo de 11 horas entre dois dias de trabalho. "Achamos que 9 horas já seriam suficientes."
Mas, para os caminhoneiros, a lei veio em boa hora e não pode ser alterada. "Até esta lei ser aprovada, os motoristas trabalhavam como escravos, à base de drogas pois recebem comissão", ressalta o presidente do sindicato da categoria em Maringá, Sinttromar, Ronaldo José da Silva.
Ele critica a articulação feita pelo agronegócio. Segundo o sindicalista, os produtores não são parte legítima nesta discussão. "A lei foi debatida e é um consenso entre os patrões representados pela Confederação Nacional do Transporte (CNT) e os empregados", destaca. (N.B.)

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