Agronegócio quer ajudar País a atingir metas da COP21
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sábado, 09 de janeiro de 2016
Ricardo Maia<br>Reportagem Local 
O comprometimento do Brasil na 21ª Conferência do Clima (COP21), que ocorreu no ano passado em Paris, de reduzir em 43% a emissão de gases que causam o efeito estufa no planeta até 2030, com base de comparação em 2005, pode ficar, daqui por diante, sob a responsabilidade do setor agropecuário, segunda analisa o professor do departamento de ciências do solo da Escola Superior Luiz de Queiroz (Esalq/USP), Carlos Eduardo Pelegrino Cerri.
Até 2005, explica o especialista, boa parte da emissão de CO2 era proveniente do desmatamento. Com a redução desde o período até hoje em 83% no índice de derrubada de matas, o Brasil deve chegar em 2025 com uma redução de 37% nas emissões. O problema, avalia ele, será conseguir chegar à meta de 43%. "Os últimos cinco anos serão mais difíceis, sobrando para o setor agropecuário ajudar a atingir o objetivo", destaca Cerri.
De acordo com ele, o setor agropecuário é o terceiro maior emissor de gases que causam o efeito estufa. O último dado de emissão, ocorrido em 2012, apontou que o Brasil emitiu 2,5 bilhões de toneladas equivalentes de CO2. Desse total, 60% foram provenientes do desmatamento, de 15% a 20% de combustíveis fósseis e de 15% a 20% do segmento agropecuário.
Na opinião de Cerri, reduzir a queima de combustível fóssil vai ser mais difícil porque ninguém abre mão do transporte individual, cabendo ao segmento agropecuário ajudar o Brasil a atingir a meta. Cerri afirma que além da possibilidade de reduzir as emissões por meio de técnicas de manejo adequadas, a produção agropecuária sequestra carbono a partir do crescimento das plantas.
Com o foco no setor, o governo brasileiro já colocou em proposta na COP 21 recuperar 15 milhões de pastagens degradadas até 2030. Cerri afirma que cerca de 50% de um total de 200 milhões de hectares estão em algum estágio de degradação. "Pasto degradado retira pouco carbono da atmosfera", lembra o especialista da Esalq.
Para o professor, investir em uma pastagem de qualidade traz duplo benefício ao meio ambiente. Primeiro pelo sequestro de carbono das gramíneas, depois pela diminuição da idade de abate dos animais. Quanto menos tempo um animal passa no pasto, menos gases ele eliminará por meio de fezes, arrotos e flatulências.
A integração lavoura, pecuária e floresta (iLPF) é, segundo Cerri, outra contribuição do setor para que o País cumpra a meta. Atualmente, o Brasil possui em torno de 5 milhões de hectares que trabalham nesse sistema. Fomentar a produção de etanol e biodiesel é outra estratégia do Brasil no que se refere à emissão de gases. O especialista observa que o agronegócio tem grande responsabilidade econômica e ambiental, mas reclama que o setor não tem recebido a devida atenção por parte do governo federal.


