Agronegócio: o papel das parcerias para a inovação
PUBLICAÇÃO
sábado, 24 de novembro de 2001
Paulo Varela Sendin 
A concentração da busca do conhecimento científico em instituições públicas de pesquisa agropecuária sempre tem se colocado como um problema quando se pretende que esse conhecimento se transforme rapidamente em inovações tecnológicas e seja utilizado no mercado.
Uma das formas de superar essa dificuldade é o estabelecimento de parcerias entre as instituições de pesquisa e as empresas que atuam no mercado e que possuem um conhecimento mais direto do tipo de demandas que deve ser atendido. Essas parcerias, por outro lado, frequentemente são dificultadas pela estrutura jurídica dos institutos, tolhidos em suas ações por amarras burocráticas.
Com o intuito de agilizar esse processo e articular tanto a demanda das empresas privadas como a oferta de serviços tecnológicos por parte dos institutos públicos, têm surgido entidades sem fins lucrativos, atuando na órbita do que se convencionou denominar de Terceiro Setor, que conseguem dinamizar essas parcerias a custos muito baixos, proporcionando ganhos para ambos os lados e benefícios indiretos para toda a Sociedade.
Em Londrina, surgiu há cinco anos, em 21 de novembro de 1996, uma entidade com esse objetivo, a Fapeagro - Fundação de Apoio à Pesquisa e ao Desenvolvimento do Agronegócio. A Fapeagro se originou do esforço de pouco mais de 100 profissionais e empresas que atuam no âmbito do Agronegócio, tanto no setor público como privado, e nesses 5 anos de atuação já conseguiu organizar cerca de 100 projetos que, no conjunto, mobilizaram mais de R$ 2 milhões, recursos esses que ao mesmo tempo em que deram retornos às empresas privadas pelos produtos e serviços obtidos, proporcionaram também um aporte financeiro às instituições que executaram os projetos, complementando as escassas dotações a elas destinadas pelo poder público.
Mais importante que essa mobilização de recursos talvez seja a aproximação entre o setor público e o setor privado proporcionado pelas parcerias intermediadas pela Fapeagro. Muitas vezes a solução de um problema tecnológico não é buscada no instituto de pesquisa pelo desconhecimento de suas competências por parte das empresas, perdendo-se assim ótimas oportunidades de mercado. Ao atuar nessa linha de disseminação de informações junto às empresas privadas, uma entidade como a Fapeagro presta relevantes serviços à Sociedade, pois os retornos proporcionados pelo desenvolvimento de inovações adequadas acaba por beneficiar a economia como um todo, pelo ganho de produtividade e/ou competitividade proporcionados pelas inovações.
Assim, ao comemorar seus 5 anos de existência, a Fapeagro tem que receber os parabéns não só das entidades com as quais desenvolveu ou promoveu parcerias mas de toda a Sociedade. E seus instituidores devem igualmente receber esses agradecimentos, não só pelos brilhantes resultados dessa iniciativa, mas até mesmo pela data escolhida para a organização da Fapeagro: sem o saber, eles escolheram o mês de novembro que, 5 anos depois, seria eleito pela Adetec - Associação do Desenvolvimento Tecnológico de Londrina para a realização da Novembertech, um verdadeiro festival de eventos científicos e tecnológicos que deve ressaltar, deste ano em diante, a característica de Londrina como centro importante de produção e utilização de inovações tecnológicas, ou seja uma verdadeira ''capital do conhecimento''.
O autor é engenheiro agrônomo, pesquisador do Instituto Agronômico do Paraná


