Cada país precisa eleger o seu negócio fundamental e o do Brasil é o agronegócio. Porque, já hoje, proporciona 37% dos empregos, 25% do PIB e US$ 19 bilhões por ano em exportação.
Chegou a vez da produção em escala, para o consumo, industrialização e venda externa. Portanto, se quiser ver o Brasil expandir-se e solucionar os seus problemas sociais, o novo governo precisa voltar suas atenções para o agronegócio. Ou continuará administrando os efeitos, como agora a anunciada campanha da Fome Zero - a esta altura urgente e necessária - porém sem combater as causas.
Há que não confundir planejamento com campanha ideológica, ou os problemas não terão fim. O caminho seguro é optar por um macro programa de incentivo ao agronegócio, em todas as suas frentes, para se obter farto alimento de baixo custo, abastecer o mercado interno, obter dólares cone exportação do produto agrícola, dar empregos, arrecadar mais impostos - uma reação em cadeia, cujo resultado é a explosão desenvolvimentista.
A grande cruzada do Brasil - no que deve se envolver o governo de Luiz Inácio Lula da Silva - é robustecer a cultura em escala e toda a atividade paralela e inerente, e esta não é tarefa para um ministério, mas para todo o corpo governamental.
Lembremos que 35 anos atrás fizeram grandes planejamentos para o agronegócio, e muito do que esse setor tem hoje de bons é resultado daquela política e não da suposta obra recente. Na esteira do Planasem Plano Nacional de Armazenamento, e do Agriplan - Apoio Governamental para o Plano de Sementes, implementados na época, viriam as cooperativas, os armazéns e silos.
Há que dedicar um capítulo especial para a semente. A estrutura do setor da pesquisa não tem condição de multiplicar um grande volume de boa semente certificada. Quem tem socorrido esse setor da pesquisa é o produtor sementeiro instituindo várias fundações estaduais de apoio às pesquisas agropecuárias, que têm também atuado como elo entre aquela área técnica e o agricultor. Hoje, a semente certificada tem um pacote tecnológico embutido, que resulta em mais capacidade produtiva, em resistência às pragas e doenças e em melhor qualidade de proteína e açúcar. Portanto, a semente não pode ser extraída da própria produção de sua lavoura, mas produzida com tecnologia - e esta é a tarefa dos produtores especializados, que dominam vasta tecnologia e proporcionam assistência técnica.
Não bastam, portanto, apenas boa terra e maquinaria. Veja-se os números da Conab: metade do Rio Grande do Sul guarda semente e compra metade dos produtores especializados, e produz 2.100 kg/ha; Minas Gerais compra 65% de boas sementes e produz 2.300 kg/ha; o Paraná, que emprega grande parte de semente certificada, atinge 1.900 kg/ha; Mato Grosso compra 90% de semente qualificada e produz 3.100 kg/ha, e alguns de seus melhores fazendeiros chegam a alcançar 4.500 kg/ha. Guardar semente é guardar praga e optar por baixa renda.
O governo de Lula poderá dar essa arrancada. Não será preciso que despreze seus projetos de reforma agrária e de agricultura familiar, porque tudo pode caminhar paralelo. Porém, não é este o grande caminho de redenção econômica do Brasil e que irá solucionar os problemas sociais, e sim a implantação, como grande programa de governo, do agronegócio em escala. O mais virá por acréscimo.
*Presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Soja

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