Brasília - O ministro da Agricultura, Wagner Rossi, comemorou o desempenho das exportações do agronegócio no ano passado. A balança comercial do setor encerrou 2010 com um saldo positivo de US$ 63 bilhões. ''Ajudamos a cobrir os deficit de outros setores, como indústria e serviços'', afirmou Rossi. Os números foram divulgados essa semana. Em 2010, o Brasil registrou exportações recordes no setor de US$ 76,4 bilhões, crescimento de 18% em relação a 2009.
No total, a balança comercial brasileira encerrou 2010 com um superavit de US$ 20,3 bilhões. Esses resultados dão, na opinião do ministro, a real medida da importância do agronegócio na pauta exportadora brasileira. Dos 18% de crescimento das exportações do agronegócio brasileiro em 2010 na comparação com o ano anterior, Rossi informou que a maioria, ou 14,3%, foi decorrente da alta nos preços das commodities agrícolas no ano passado. ''Os preços estavam muito reputados'', afirmou.
Em termos de quantidade, a expansão das vendas externas do setor em comparação com 2009 foi de 3%. ''Também é um crescimento notável. E não se pode esquecer que, além da demanda externa muito forte, também temos uma crescente demanda interna pelos produtos do agronegócio. O brasileiro está comendo mais e melhor'', afirmou.
Para o próximo ano, ele disse que espera um crescimento das exportações de pelo menos 10%. ''Nos últimos dez anos, temos um crescimento médio anual de 14%. Mesmo projetando um crescimento menor, de 10%, podemos atingir exportações de US$ 84 a US$ 85 bilhões em 2011'', disse.
Contudo, a participação do agronegócio nas exportações totais brasileiras caiu de 42,5%, em 2009, para 37,9%, em 2010. A explicação para essa diminuição é a crise financeira internacional, que teve seu auge justamente há dois anos. Em 2009, as exportações do agronegócio tiveram queda inferior à registrada pelos demais setores, uma vez que a demanda por produtos agropecuários é menos influenciada pela renda. Esse fator contribuiu para que o setor sustentasse o superavit naquele ano.
Produtos
A soja mantém a liderança nos itens mais exportados pelo País, apesar da queda na participação das vendas internacionais (de 26,6% para 22%). A redução deve-se à ligeira queda (- 0,8%) no valor exportado no último ano.
O açúcar foi o grande destaque de 2010. A forte expansão das receitas de exportação do produto, de 52%, tornou o complexo sucroalcooleiro (com predominância de açúcar e etanol) responsável por 18% das exportações do agronegócio. Com isso, esse setor tornou-se o segundo no ranking exportador, ocupando o lugar das carnes, que atualmente respondem por 17,8% das vendas externas.
No que se refere aos mercados compradores, a Ásia se consolidou como principal destino em 2010, registrando crescimento de 16,8% e sendo responsável por 30,1% de todas as exportações de produtos brasileiros. A União Europeia vem em segundo com participação de 26,7%.

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