Trigo perde área para a soja na Argentina

Aumenta as chances de lucro dos agricultores brasileiros


Não é apenas no Brasil que a soja deve ocupar área de outras culturas na safra 02/03. O plantio do trigo na Argentina encerrou em meados de setembro e, segundo a Secretaria de Agricultura daquele país a área plantada foi de cerca de 6,29 milhões de hectares, 809 mil hectares a menos (11,4%) do que a área plantada em 2001 (cerca de 7,10 milhões de hectares). A expectativa da própria secretaria argentina é de que a soja deve ocupar a área de trigo, que deixa de ser cultivado. A área deste ano é a menor desde a safra 98/99.

A produção é uma incógnita, mas deve ficar abaixo de 14 milhões de toneladas, 1,3 milhões a menos do que a produção da safra 01/02 de 15,3 milhões. O plantio na Argentina terminou um pouco atrasado em relação à média dos últimos cinco anos e, mantendo-se este atraso, a colheita deve começar em final de novembro.

Preços internacionais e internos

Os produtores brasileiros este ano estão sendo beneficiados pelo aumento nas cotações internacionais do trigo. Na Bolsa de Chicago, por exemplo, o trigo para dezembro/02 foi cotado ao redor de US$ 2,75/bu (US$ 101,04/t) entre meados de abril e meados de maio; chegou a US$ 4,25/bushel (US$ 156,16/t) e esta semana foi cotado a US$ 3,83 (US$ 141/t). Apesar da queda, o preço desta semana é o maior desde março de 1997. Na Bolsa de Kansas (trigo hard red) o comportamento dos preços foi semelhante ao da Bolsa de Chicago.

Preços em alta no mercado externo e câmbio desvalorizado vêm puxando o preço do trigo para cima e causando manchetes por todo o País. Preço em queda não é notícia, mas em alta...

Os produtores (que colheram um trigo razoável e amargam as perdas da seca, geada e por fim chuva na colheita) lastimam o que perderam e comemoram o que têm de produto para vender.

Esta semana uma saca de trigo ao produtor no Paraná teve preço médio de R$ 37,70/sc, apenas 6% a menos do que uma saca de soja. A última vez que esta relação esteve tão boa para o trigo foi em agosto/setembro de 2000.

Francisco C. Guimarães
e-mail: [email protected]

SUÍNO

A evolução do preço ao longo
do canal de comercialização

A cadeia produtiva da carne suína vem a ser uma das mais competitivas do agronegócio nacional, mas, também possui uma série de problemas (gargalos) que impedem um equilibrado desenvolvimento de todos os seus elos.

Um dos principais aspectos é a distorção que o preço do produto apresenta entre o produtor e o consumidor final. Enquanto a carne suína caminha no sistema de comercialização, vai sofrendo diversas transformações, diferenciações e importante agregação de valor que não retorna de maneira proporcional ao produtor (o elo inicial desta cadeia produtiva).

Nesta divisão da lucratividade, cerca de 30% em média fica com o produtor de forma a remunerar o seu trabalho, enquanto que 70% ou mais do lucro restante permanece no sistema de comercialização para remunerar os demais agentes pela execução das suas respectivas tarefas. Assim, esta má distribuição da lucratividade ao longo da cadeia acaba impactando de maneira negativa os elos mais fracos do sistema, ou seja, os produtores rurais, conforme pode ser visto na tabela.

Na propriedade rural, os suinocultores paranaenses receberam na média de setembro aproximadamente R$ 1,07 pelo quilograma do suíno vivo, sendo que a cotação apresentou uma variabilidade de R$ 0,15 ao longo do mês, com o preço mínimo de R$ 1,01 sendo registrado no começo do mês e o preço máximo de R$ 1,16 verificado na semana passada. Este nível de preço vem a ser então o reflexo de um conjunto de variáveis de interação dinâmica e pouco controláveis pelo produtor, como a oferta total de mercado, a demanda pelos consumidores e pela indústria, as exportações, as variações cambiais, o elevado custo dos insumos (diga-se o milho) entre outras.

Assim, no aspecto da formação do preço, o suinocultor individualmente pouco ou nada pode fazer para intervir no mercado. É considerado apenas um ''tomador de preço''. O mercado ou a indústria local (sistema de integração vertical) que estabelece um poder monopsônico ou oligopsônico é quem determina o valor da cotação. Os produtores fazem a sua tomada de decisão de produzir ou comercializar em cima deste referencial.

Este mesmo quilograma de carne suína, ao sair da propriedade rural e entrar no mercado atacadista, era comercializado a R$ 2,39 na forma de carcaça e a R$ 3,67 na forma de cortes (preço médio do lombo, pernil e paleta), indicando que o atacadista, ao realizar os seus serviços de comercialização em cima dos produtos acrescentou (Markup de comercialização) em média 123,4% e 243% respectivamente sobre o preço que ele pagou ao suinocultor pela matéria-prima. Esta diferença gritante do preço nos diferentes níveis do canal de comercialização decorre do fato de que no atacado (as indústrias) ocorrem várias atividades de comercialização, com a diferenciação do produto, acabando com o elevado grau de homogeneidade que antes existia e, ao realizarem isto, têm a possibilidade de formar seu próprio preço.

No mercado varejista (supermercados, hipermercados, açougues, etc.), observou-se que as diferenças de preço foram também significativas. No caso dos cortes suínos, notamos que os varejistas acrescentaram em média 22,3% sobre o preço pago aos atacadistas, enquanto que os consumidores pagaram 319,6% a mais sobre o preço que o produtor recebeu pelo quilograma do produto. Para os embutidos e derivados de carne suína, esta diferença atingiu valores de 1.068% na média do mercado paranaense em setembro último.

Analisando a margem total de comercialização da carne suína dentro da cadeia produtiva observou-se que alguns aspectos também foram bastante relevantes. No caso dos embutidos e derivados, do preço que o consumidor final pagou pelo quilograma do produto no varejo, apenas 8,6% retornou ao produtor como forma de remuneração pelos seus serviços, enquanto que os 91,4% restantes ficaram para remunerar o sistema de comercialização como um todo (atacadistas e varejistas).

Para os cortes suínos, a participação média do produtor em setembro foi um pouco maior, 23,8%, enquanto que o atacado e o varejo ficaram com 57,9% e 18,3% respectivamente do preço que o consumidor final pagou pelo quilograma dos cortes no mercado. Dos cortes analisados, o lombo suíno sem osso foi o que apresentou a menor participação do produtor (15%) nas divisões do lucro da comercialização, com o atacado ficando com 65% do preço pago pelo consumidor e o varejo com os 20% restantes; enquanto que a paleta com osso forneceu a melhor participação do produtor (32%), ficando o atacado com 37,1% do preço pago pelo consumidor final do produto e o varejo com os 30,9% restantes.

Na semana, elevação de 4,3%

O preço médio do suíno vivo raça negociado no Paraná voltou a apresentar elevação de 4,3% na cotação esta semana em relação ao preço observado na semana passada, com o quilograma sendo comercializado a R$ 1,21 nas principais praças do Estado. Quando comparada com a cotação média de agosto (R$ 1,01) observa-se um aumento da ordem de 19,8% na mesma e, quando relacionada com o preço médio nominal praticado no mesmo período do ano passado (setembro) notamos uma estabilidade.

João Batista Padilha Jr - Prof. da UFPr
e-mail: [email protected]

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