AGROMERCADO
BOI GORDO
Preços voltam a subir
Conforme tendência apontada anteriormente, já se percebe em algumas regiões do País uma certa recuperação dos preços do boi gordo nos últimos dias. O fato ocorre após uma momentânea queda dos preços, que foi observada nos primeiros 10 dias de setembro, logo após as geadas que afetaram as pastagens no Sul e Sudeste do Brasil e forçaram muitos pecuaristas a desovar o gado pronto para o abate aos frigoríficos, sob o risco de perda de peso dos animais. Agora, passada a fase momentânea de maior oferta, os preços do boi gordo voltam a subir, mantendo a tendência de valorização durante o atual período de entressafra.
A tendência de reversão do movimento de baixa dos preços do boi gordo pode ser observada no gráfico, que mostra a evolução dos valores diários do indicador de preços do boi gordo Esalq/BM&F nos últimos dois meses. Os valores do indicador Esalq/BM&F representam a cotação média do boi gordo nas principais praças de comercialização do Estado de São Paulo, para negócios com aproximadamente 30 dias de prazo para pagamento. Após atingir a maior cotação do ano de R$ 51,64 por arroba em 27 de agosto, os preços caíram para R$ 50,26 por arroba em 9 de setembro (-2,7% no período) e voltaram a subir para R$ 50,82 por arroba em 18 de setembro (+1,1% no período).
Nas diferentes regiões produtoras do País, os recentes aumentos de preços ainda não ocorriam de forma generalizada até o meado desta semana. É o caso do Paraná, onde os preços do boi gordo variavam entre R$ 38 e R$ 39 por arroba nas principais praças de comercialização, ainda com variação acumulada negativa em relação aos valores médios da semana anterior.
No acumulado dos últimos dois meses, o valor médio do indicador de preços Esalq/BM&F subiu 14,2%, passando de R$ 44,49 para R$ 50,82 por arroba. No mesmo período, a cotação média ao produtor paranaense subiu 15,5%, passando de R$ 42,00 para R$ 48,50 por arroba.
José Roberto Canziani - Prof. da UFPr
e-mail: [email protected]
FRANGO
Preço do milho pressiona negativamente o setor
A situação da avicultura paranaense não tem sido nada favorável para os produtores ao longo deste ano. De acordo com os dados médios coletados no Estado, tem-se observado uma certa constância nos preços, ou seja, uma estabilidade nas cotações com pouquíssima variabilidade. Assim, a estabilidade dos preços tem proporcionado uma receita total aos produtores, que não é suficiente para cobrir os custos de produção, pressionados tanto pela alta da cotação da saca do milho no Estado, quanto pela instabilidade da moeda americana, que puxa para cima os principais insumos de produção.
Ao longo de 2002, no período de janeiro a setembro, tem-se observado o seguinte comportamento dos preços reais do frango (preços deflacionados pelo IGP-DI). Em janeiro, o quilograma do frango vivo era comercializado no Paraná a R$ 1,00, quando sofreu retração de 1% na cotação em fevereiro, com o preço recuando para R$ 0,99 o quilograma. Em março, observou-se novamente um recuo da ordem de 1%, com os preços a R$ 0,98 por quilograma. No mês de abril, o mercado começou a dar sinais de recuperação, tanto de demanda quanto de exportação e, as cotações apresentaram um incremento real de 5,1%, atingindo então a cotação de R$ 1,03 por quilograma, a mais alta observada até o presente momento.
De abril a julho, a conjuntura interna da economia nacional, associada a fatores ligados ao mercado externo, começou a pressionar negativamente a cotação do frango, que, durante o período em questão apresentou um recuo de 6,8%, com o quilograma sendo comercializado a R$ 0,96 na média do Paraná. Entre julho e setembro, detectou-se um novo fortalecimento de 5,2% nas cotações reais do frango, com o preço voltando a atingir o patamar pactuado no começo do ano. Desta forma, a cotação média do quilograma do frango registrado no Estado entre janeiro e setembro tem ficado ao redor dos R$ 0,99/quilograma, preço este insuficiente para cobrir custo de produção e gerar lucratividade aos produtores.
De acordo com nossa análise verifica-se que os preços médios registrados entre o atual período (janeiro/setembro) e o idêntico do ano passado apresentam um comportamento muito semelhante, com as cotações médias valendo apenas 1% a mais do que em 2001, conforme pode ser observado na tabela.
Milho segue em alta no Paraná
O preço real da saca do milho continua apresentando tendência de fortalecimento das cotações no mercado paranaense este ano. Entre janeiro e setembro, na média do Estado, as cotações sofreram uma majoração de 31,6%, variando de R$ 11,27 para atuais R$ 14,83 a saca.
No período analisado (janeiro-setembro), percebeu-se um incremento médio mensal de 3,5% nas cotações do produto. Entre janeiro e fevereiro, em termos reais, a cotação média da saca de 60 quilogramas do milho variou 2,7%; de fevereiro para março mais 2,1%. Entre março e abril o incremento foi maior (4,7%); entre abril e maio, mais 7,0%; entre maio e junho, outros 1,9%; entre julho e agosto mais 3,7% e, finalmente, entre agosto e setembro verificou-se uma majoração de 6,5% no valor da saca.
Comparativamente, este ano, a saca de milho encontra-se em termos médios 40% mais cara que em igual período do ano passado, quando era comercializada na média de R$ 9,25. Ao analisarmos a cotação da saca de milho em setembro, verificamos que a mesma está, atualmente, 35,8% acima da cotação pactuada em setembro de 2001 (R$ 10,92).
Este incremento do valor da saca de milho no Paraná, proporcionalmente superior que a elevação da cotação do frango, tem prejudicado os produtores paranaenses, devido ao inevitável aumento no custo de produção do frango e piora na relação de trocas.
A evolução da relação de trocas
No caso das relações de trocas, ou seja, da quantidade de carne de frango que os produtores devem comercializar para a aquisição de insumo (saca de milho), percebeu-se uma sensível piora desde o começo do ano. Entre janeiro e setembro do ano passado, na média do Estado, os avicultores precisavam vender 9,4 quilogramas de carne de frango para a aquisição de uma saca de milho. Atualmente, necessitam de 13 quilogramas de carne para a compra da mesma saca de milho, ou seja, a relação de trocas piorou em média 38,3% para os produtores paranaenses.
Em 2001, entre janeiro e setembro, observou-se uma certa estabilidade nas cotações do frango no Paraná ao redor de R$ 0,98 por quilograma, enquanto que no caso do milho, registrou-se que a cotação média da saca teve majoração de 9,3%, o que representou uma situação bastante razoável aos produtores de frango do Estado.
Este ano a situação de mercado do milho e do frango estão completamente diferentes. No caso do milho, a retração da produção no Estado (safra e safrinha); a exportação do produto que reduziu o estoque interno e a comercialização ''amarrada'' tem proporcionado um fortalecimento das cotações do produto da ordem de 31,6% entre janeiro e setembro.
No caso do frango, observa-se que as cotações não favoreceram o setor, ou seja, apresentaram uma certa estabilidade entre janeiro e setembro ao redor dos R$ 0,99/kg, piorando sobremaneira a situação dos avicultores paranaenses. Para estabilizar o mercado, só existe um caminho: o equilíbrio entre a oferta a atual demanda, que se encontra bastante reprimida pela redução do poder aquisitivo da população, além da busca incessante por mercados alternativos para a produção nacional.
Na semana, a cotação do frango em alta
O quilograma do frango de corte negociado no Estado do Paraná apresentou um incremento de 3% na cotação média, variando de R$ 1,01 para atuais R$ 1,04 nas principais praças produtoras do Estado. Quando comparada esta cotação com o preço médio de agosto (R$ 0,97) observa-se um incremento da ordem de 7,2% na mesma e, quando relacionada com o preço médio nominal praticado no mesmo período do ano passado (setembro) notamos um incremento da ordem de 15,6% nas cotações.
João Batista Padilha Jr - Prof. da UFPr
e-mail: [email protected]





