SOJA

Grandes lucros com a armazenagem em 2002

Armazenar a soja para a venda no segundo semestre nem sempre dá um resultado positivo para o produtor. Mas, nos últimos dois anos, quem optou ou pôde segurar a produção para vender no final do ano ganhou muito dinheiro.

Em 2002 a soja subiu 80% de meados de março até a segunda semana de setembro, passando, em média, de R$ 20/sc para R$ 36/sc ao produtor paranaense. No ano passado, a valorização no período foi de 54%, passando de R$ 16,40/sc para R$ 25,20/sc.

Em 2001 a valorização da soja foi resultado, principalmente, das variações do câmbio, influenciadas inclusive, pelos atentados terroristas aos Estados Unidos em 11 de setembro de 2001.

Neste ano, os ganhos da soja decorrem de três frentes principais: 1) da taxa de câmbio (que subiu 33% no período); 2) da valorização dos preços no mercado internacional, e 3) do aumento nos prêmios de exportação da soja brasileira.

Causas

A desvalorização do Real frente ao dólar em 2002 é resultado das incertezas políticas no Brasil contendo, portanto, um forte componente especulativo. Atualmente o patamar das cotações do dólar frente ao Real já estão inferiores aos valores observados no final de julho, quando a taxa de câmbio se aproximou de R$ 3,50/US$.

Desta forma, pode-se esperar que os ganhos da desvalorização cambial em 2002 já foram absorvidos pelo mercado brasileiro de soja e, daqui para frente, maiores valorizações do grão, se vierem, serão resultado das altas no mercado internacional, decorrentes de ampliação no consumo por parte dos países asiáticos ou de maiores perdas no rendimento médio da atual safra norte-americana de soja.

Atualmente, os preços da soja no mercado americano (representado pela Bolsa de Chicago) já refletem as perdas na produção nos Estados Unidos e as expectativas de aumento na produção da safra 02/03 na América do Sul (Brasil e Argentina, principalmente). Os fatos novos neste mercado virão, portanto, do real tamanho da produção sulamericana, já que a produção dos Estados Unidos, em fase final de desenvolvimento está, em grande medida, definida.

O terceiro elemento nesta análise é o prêmio de exportação que, este ano, esteve positivo desde fevereiro, fato que não se observa desde 1995. É importante ressaltar que, um dos motivos principais para o aumento do prêmio foi a estratégia dos produtores brasileiros em retardar a comercialização da soja.

A grosso modo, neste ano de 2002, os produtores entregaram após a colheita apenas o volume de soja contratado no ano anterior e ficaram à espera dos aumentos que viriam na entressafra. Esta estratégia reduziu o volume de soja comercializado, exportado e esmagado pelo Brasil no período de safra elevando o preço interno. A tendência de alta continuou nos meses seguintes em função dos problemas econômicos na Argentina e climáticos nos Estados Unidos, beneficiando aqueles que seguraram a produção.

Relembrando o passado

O gráfico mostra a rentabilidade acumulada da estocagem da soja de março a setembro (preços médios mensais) dos últimos quatro anos. Nas safras 98/99 e 99/00 a rentabilidade acumulada da estocagem no período deu prejuízo aos produtores (considerando uma taxa de juros de 1% ao mês e custo de armazenamento de R$ 0,07/sc/mês) ou um resultado muito pequeno, pois as variações de preços foram inferiores ou insuficientes para compensar os riscos da estocagem, representados pelos custos do armazenamento e de oportunidade do capital investido nos estoques.

Nas safras 00/01 e 01/02 manter estoques de soja para a venda na entressafra foi altamente lucrativo, pois a valorização do produto, já descontados os juros e o custo do armazenamento, chegou a cerca de 50% em 2001 e a mais de 60% este ano, conforme pode ser observado no gráfico.

Limites e oportunidades

Neste ano, os ganhos acumulados com a estocagem da soja até o momento devem estar próximos ao seu valor máximo, pois daqui em diante se houverem mais ganhos nominais eles provavelmente serão menores do que o ritmo observado até agora.

Assim, neste final de ano, é hora de realização de lucros, ou seja, a venda do estoque remanescente neste final de entressafra deve resultar, além da realização de bons ganhos, em melhores resultados do que guardar estoques deste para o próximo ano.

Por outro lado, para a grande maioria dos produtores, que já comercializaram a sua produção de soja da safra 01/02 e ainda estão planejando a ampliação do plantio da safra 02/03, pode-se sugerir a atual fixação antecipada de preços (da soja e do dólar) de parte de sua produção, que garante no momento um baixo custo em sacas por hectare para fazer frente aos desembolsos exigidos pela cultura. O resto é o lucro, e com ele pode-se aguardar os acontecimentos do futuro.

José Roberto Canziani - Prof. da UFPr
e-mail: [email protected]



TRIGO

... E a geada levou

Desta vez não foi chuva, mas geada o vilão da safra de trigo. A geada levou o lucro que os produtores de algumas regiões teriam este ano com o trigo, provavelmente o maior dos últimos anos. Os produtores com seguro devem recuperar o gasto com a lavoura, mas não há seguro que garanta lucro.

O levantamento da Conab, divulgado em agosto, estimava a produção nacional em 3,88 milhões de toneladas que agora não deve ser atingida. Como sempre, o maior efeito da redução na produção brasileira é o prejuízo do produtor, que não terá trigo para vender aos bons preços deste ano.

As importações, estimadas pela Conab em 6,75 milhões de toneladas devem voltar a superar 7 milhões de toneladas. A redução na produção não tem estimativas por enquanto.

Maior preço desde 1996

Na Bolsa de Chicago a cotação do trigo superou US$ 150/tonelada, maior preço desde 1997. O trigo foi a vedete da semana no mercado futuro de grãos nos Estados Unidos. Bom para quem tiver produzido e tiver o que vender. Os produtores que não foram afetados pelas geadas têm rentabilidade positiva garantida este ano.

O aumento no mercado americano vai afetar diretamente os preços na Argentina que já estavam altos. As importações brasileiras ficam mais caras e o preço interno vai pelo mesmo caminho. O preço médio ao produtor no Paraná esta semana foi de R$ 27,90/saca, alta de 4,5%. Em dólar o preço é o maior desde 1996.

Quem ainda colher triguilho terá um mercado comprador, dependendo do preço relativo com o milho, que também está com preços atrativos.

Francisco C. Guimarães
e-mail: [email protected]

SUÍNO

Cotações seguem estáveis no Paraná

As cotações do quilograma da carne suína tipo raça continuam apresentando cotações muito baixas no Paraná. Agora, no mês de setembro, tem se percebido uma certa estabilidade das cotações, que vêm perdurando por mais de 30 dias. Assim, o patamar dos preços atualmente verificados têm permanecido bastante abaixo dos preços pactuados desde o começo do ano (janeiro) quando a cotação média paga ao produtor no Paraná girava em torno de R$ 1,50 por quilograma.

Em temos percentuais, nos últimos nove meses, verificou-se um retração de 32,7% nas cotações, enquanto que nos últimos 12 meses este recuo chegou a atingir valores de 24,6%.

Entre janeiro e setembro do ano passado, verificou-se um certo grau de variabilidade nas cotações da carne suína, cujo preço do quilograma oscilou entre R$ 1,47 (maior cotação do período verificada em janeiro) e R$ 1,28 (menor preço do período observado em março), representando uma variação de 8,8% no período analisado, com a média da cotação real pactuada no Paraná girando em torno de R$ 1,39. Este valor das cotações refletia bastante a grande demanda internacional pelo produto brasileiro, que auxiliou a enxugar os estoques das indústrias e estimulou a sustentação deste nível de cotação praticamente nos nove primeiros meses do ano.

Este ano, a situação não tem sido nada favorável aos produtores paranaenses. No começo de 2002, sentindo ainda os efeitos do mercado do ano anterior, as indústrias e os produtores apostaram na continuidade deste mercado e ampliaram a sua produção, sem o respectivo impacto positivo esperado na demanda.

Como consequência, observamos que entre janeiro a março deste ano, os preços médios pactuados no mercado paranaense, em termos reais, permaneceram 5,2% superiores aos verificados em igual período de 2001. Com o inesperado enfraquecimento da demanda interna e a retração do mercado internacional, a partir de abril, as cotações começaram a recuar fortemente no Paraná.

Assim, de abril à setembro, registrou-se retração da ordem de 15,8% nas cotações, com os preços variando de R$ 1,20 para atuais R$ 1,01, conforme pode ser observado na tabela.

Vários foram os fatores responsáveis por tais recuos nos preços no período analisado, mas, basicamente citamos a retração da demanda, a redução nas exportações e um crescimento da produção de aproximadamente 10% que, superofertou o mercado interno, pressionando constantemente as cotações para o atual patamar de preço verificado.

Em 2001, na média de janeiro a setembro, a cotação do quilograma da carne suína valia R$ 1,39 no Paraná. Atualmente, na média do mesmo período, está valendo R$ 1,19, o que significa uma retração de 14,4% na média dos períodos analisados.

Na semana, a cotação do suíno

O preço médio do suíno tipo raça negociado no Paraná apresentou esta semana cotação no patamar R$ 1,01 por quilograma nas principais praças produtoras do Estado, preço este idêntico ao verificado na semana anterior. Quando comparada esta cotação com o preço médio de agosto (R$ 1,01) observa-se também uma estabilidade nas cotações e, quando relacionada com o preço médio real praticado no mesmo período do ano passado (setembro) nota-se uma retração da ordem de 25,7% nas cotações.

José Batista Padilha Jr - Prof. da UFPr
e-mail: [email protected]

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