AGROMERCADO
SOJA
Melhoram as lavouras nos Estados Unidos
A expectativa de quebra da safra 2002/2003 de soja nos Estados Unidos foi, em parte, revertida nas últimas semanas, com a ocorrência de chuvas nas principais regiões produtoras daquele país. Não que as chuvas tenham resolvido definitivamente o problema de déficit hídrico das lavouras, mas contribuíram para que os agentes de mercado revertessem suas expectativas de que as coisas só iriam piorar no futuro.
O resultado imediato foi um queda nos preços da soja na Bolsa de Chicago, que passaram da faixa de 600 centavos de dolar por bushel em 14 de agosto, para cerca de 550 centavos em 22 de agosto.
A safra, porém, continua em desenvolvimento (no momento com certo alívio em termos de déficit hídrico, mas com um prejuízo já acumulado) e necessitando que o clima continue favorável até o final do ciclo de produção, que se encerra entre o final de setembro e o início de novembro.
Em 25 de agosto, 93% das lavouras nos Estados Unidos estavam em fase de enchimento de grãos e 3% em fase de maturação. As cotações da soja na Bolsa de Chicago voltaram a registrar valorização nos últimos dias, com o contrato setembro encerrando o pregão de 27 de agosto a 570 centavos de dólar por bushel.
O gráfico apresenta estimativas do USDA - Departamento de Agricultura dos Estados Unidos sobre a situação das lavouras de soja naquele país ao longo do período de desenvolvimento das últimas 5 safras.
No eixo vertical do gráfico é indicado o percentual das lavouras considerados em boas e excelentes condições e no eixo horizontal a data das estimativas. Na atual safra 2002/2003, a primeira estimativa de 9 de junho indicava que 60% das lavouras de soja se encontravam entre boas e excelentes. Esse índice subiu para 62% em 23 de junho, para em seguida cair para apenas 43% em 21 de julho e depois voltar a subir para o atual valor de 48% em 25 de agosto (uma condição ainda muito ruim se comparada à performance das safras anteriores).
Preços em agosto no Brasil
Os preços da soja no Brasil se mostraram instáveis ao longo deste mês de agosto, conforme tendência apontada anteriormente, em linha com as variações dos preços em Chicago e das oscilações da taxa de câmbio no Brasil.
Em agosto a variabilidade dos preços diários foi bastante grande, mas as cotações devem encerrar o mês em valores próximos aos observados no início do período. O valor do indicador de preço da soja Esalq/BM&F, por exemplo, foi de R$ 36,83/saca em 1º de agosto e de R$ 36,56/saca em 27 de agosto, com variação ponta a ponta de apenas 0,7%.
O valor do indicador de preço da soja, no entanto, atingiu a cotação mínima do mês em 8 de agosto de apenas R$ 33,10/saca e a cotação máxima de R$ 38,85/saca em 16 de agosto, com expressiva oscilação de 17,4% entre as duas cotações.
Para quem participa diretamente do mercado de lotes, vale dizer, foi possível aproveitar integralmente esses picos de preços. Aqueles, no entanto, que negociam no mercado de balcão ficaram mais uma vez apenas com ganhos parciais, em função da postura defensiva dos gerentes de comercialização das empresas, que demoram em repassar aos produtores as altas de preços, mas o fazem de forma rápida nos momentos de baixa.
José Roberto Canziani - Prof. da UFPr
e-mail: [email protected]
MILHO
Rentabilidade da estocagem do milho safrinha
A colheita do milho safrinha está terminando no Paraná e pelo último levantamento do Deral 29% havia sido comercializada pelos produtores paranaenses até 19 de agosto (contra 21 % no ano passado). Segundo a mesma fonte, 81% da safra de verão foi comercializada contra 73% no ano passado (mas com uma produção maior em 2001).
Os produtores agora estão decidindo se vendem o milho safrinha agora ou se aguardam preços melhores. O gráfico mostra como foi a rentabilidade da estocagem do milho safrinha nas últimas 3 safras (98/99 a 00/01) entre os meses de julho e janeiro, considerando uma taxa de juros (custo de oportunidade do capital investido nos estoques) de 1% ao mês e um custo do armazém de 7 centavos de Real por saca mês.
Perdas só em 2000
Observe que em 1999 valeu a pena segurar o milho até janeiro, obtendo rentabilidade na estocagem superior a 30%, ou seja, entre julho e agosto o milho valorizou o suficiente para cobrir o custo da estocagem e gerar um ganho superior a 30% para o produto armazenado.
Em 2000 a estocagem não foi bom negócio a partir de novembro pois, naquele ano, os preços caíram a partir deste mês. Quem ficou esperando até janeiro perdeu cerca de 30% e o melhor mês para comercializar o milho safrinha colhido em 2000 foi agosto, quando a rentabilidade da estocagem se aproximou de 10%.
Em 2001 o melhor momento foi dezembro, mas quem vendeu em qualquer mês entre setembro e dezembro obteve rentabilidade parecida. Assim, o preço do milho em 2001 subiu o suficiente entre setembro e dezembro para manter a mesma rentabilidade na estocagem. Em janeiro o preço reduziu achatando a rentabilidade dos estoques.
Este ano o milho manteve a valorização entre julho e agosto que se observou em 2000 e 2001 e garantiu 6% de ganho para quem armazenou. A pergunta é: como será daqui para frente? As bolas de cristal continuam não funcionando bem, assim, resta avaliar o cenário de hoje que aponta para a continuidade da alta dos preços do milho em setembro e outubro. Afinal, é período de entressafra, as cotações internacionais continuam subindo e a taxa de câmbio continua sinalizando alta para os próximos meses. Mas é bom prestar atenção a alguns detalhes. Por exemplo, as cotações do dólar no mercado futuro apontam para altas maiores até final de ano e menores para os primeiros meses de 2003. Lembrando também que ficar com milho após janeiro é arriscado pois, muito ou pouco, os preços tendem a decrescer quando a colheita começa.
Vania Di Addario Guimarães - Prof da UFPR
e-mail: [email protected]
INSUMOS AGRÍCOLAS
Relação de troca favorável ao produtor
Os preços dos principais produtos agrícolas vêm subindo mais do que os preços dos insumos, aumentando a rentabilidade potencial das lavouras. A desvalorização cambial tem favorecido a agricultura nos últimos anos, elevando os preços dos produtos agrícolas em Reais acima da inflação e dos custos de produção, especialmente para os produtos exportáveis.
Depois de cumprir o papel de âncora ''verde'' do Plano Real entre 1994 e 1998, mantendo os alimentos a preços baixos, a agricultura vem vivendo momentos favoráveis desde 1999.
A valorização do milho e da soja nos últimos 4 anos fica evidente quando se analisam os preços médios no segundo trimestre (abril a junho). Em 1998 o preço médio do milho para este período foi de R$ 7,32/saca; em 1999 a média subiu em 13% e em 2000 foi 47% superior à de 98. Em 2001 o preço médio foi apenas 2% superior, mas neste ano de 2002 a alta é de 69% em relação a 98.
Para a soja, o preço médio em 98 (abril a junho) foi de R$ 12,94/saca, subiu 11% no ano seguinte e 33% em 2000. A média de 2001 foi 35% superior à de 98 e em 2002 a diferença é de 78%.
Safra 2002/2003
Em fase de planejamento de mais um plantio, as atenções se voltam para o outro lado da moeda da desvalorização cambial: os preços dos insumos. Em termos de fertilizantes o Brasil importa quase toda a quantidade de cloreto de potássio que consome e importa ainda, parte do volume de fosfatados e nitrogenados. São importados também, parte dos defensivos utilizados pela agricultura. Estes preços são afetados pela desvalorização do câmbio aumentando o custo das lavouras.
A análise das taxas de câmbio médias mensais de 2002 mostra que o maior aumento relativo ocorreu em junho comparativamente a maio: 9,41%. No mês seguinte mais 6,6% de desvalorização do Real e em agosto outros 6,74%. No acumulado de maio a agosto o Real perdeu 24,48% de poder de compra frente ao dólar.
O lado positivo é o aumento dos preços dos produtos agrícolas e, o negativo, o aumento dos preços dos insumos. Além do efeito câmbio diretamente sobre o preço dos insumos há o aumento na demanda. A alta dos preços dos grãos estimula o aumento do plantio e, portanto, da demanda por insumos especialmente no caso da soja para a safra de verão. Há depoimentos de que toda a semente de soja disponível já foi adquirida pelos produtores e que o mesmo ocorre com a semente de milho safrinha a ser plantado no ano que vem.
A tabela relaciona, a título de exemplo, preços de alguns insumos utilizados nas culturas de milho e soja em junho de 2001 e 2002. Os preços apresentados são médias estaduais e fazem parte do últimos levantamento disponibilizado pelo Deral.
Em termos médios, observam-se as seguintes variações nos preços dos insumos: fertilizantes - de 3,7 a 8,9%; herbicidas - de 9,9 a 22,9%; inseticidas - de 13,3 a 16% e fungicidas, de 18,2 a 19,6%. O preço da semente de milho subiu 8,3% para híbridos de média tecnologia e 3,7% para alta tecnologia. A alta para a semente de soja é de expressivos 77% e do óleo diesel, de 26%. No mesmo período (junho/01 a junho/02) os preços do milho e da soja ao produtor no Paraná subiram, respectivamente, 67,3% e 36,1%.
José Roberto Canziani - Prof. da UFPr
e-mail: [email protected]
Vania Di Addario Guimarães - Prof da UFPR
e-mail: [email protected]





